Uma comunidade reunida em torno de Cristo
“Cristo no centro. Todo o resto pode ser questionado.”
“Ele é a cabeça do corpo, da igreja… para que em tudo tenha a preeminência.”
Colossenses 1:18
Este material não foi preparado para substituir a Bíblia.
Pelo contrário: ele foi preparado para ser confrontado com ela.
Não queremos que alguém aceite uma afirmação simplesmente porque está escrita neste curso, porque foi ensinada por mim, porque foi apresentada por alguém da Ekklesia ou porque corresponde àquilo que determinada tradição cristã ensina.
Nosso convite é:
ABRA A BÍBLIA.
Leia os textos citados.
Leia o que vem antes.
Leia o que vem depois.
Descubra quem está falando, para quem está falando e em qual contexto.
Compare Escritura com Escritura.
Ore.
Questione.
Converse.
E, sobretudo, observe como toda a história bíblica converge para Jesus Cristo.
Os bereanos receberam a mensagem de Paulo, mas “examinavam cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).
Paulo também orientou:
“Julgai todas as coisas, retende o que é bom.”
1 Tessalonicenses 5:21
Portanto, faça isso inclusive com este curso.
Nosso objetivo não é formar seguidores de uma interpretação particular.
É formar discípulos capazes de conhecer Cristo, compreender as Escrituras, discernir, servir e caminhar em comunhão.
1. CRISTO É O FUNDAMENTO
Todo o restante depende deste ponto.
Paulo escreve:
“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.”
1 Coríntios 3:11
A Ekklesia Cristocêntrica nasce dessa convicção.
Não significa apenas falar muito sobre Jesus.
Cristocentrismo significa reconhecer que Cristo ocupa uma posição que nenhuma instituição, tradição, doutrina secundária, líder ou experiência espiritual pode ocupar.
João apresenta Cristo como o Logos eterno:
João 1:1-3 — todas as coisas foram feitas por intermédio dele.
João 1:14 — o Logos se fez carne.
Paulo desenvolve essa centralidade:
Colossenses 1:15-17 — todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele.
Colossenses 1:18 — Ele é a Cabeça do Corpo, a Igreja.
Colossenses 1:19-20 — nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e, por meio dele, reconciliar consigo todas as coisas.
Colossenses 2:9-10 — nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
Efésios 1:20-23 — Cristo está acima de todo principado, autoridade, poder e domínio e foi dado como Cabeça sobre todas as coisas à Igreja.
Hebreus 1:1-3 — Deus falou definitivamente por meio do Filho, por quem também fez o universo.
Romanos 11:36 — dele, por meio dele e para ele são todas as coisas.
Portanto, o cristocentrismo afirma:
CRISTO NÃO É UM ELEMENTO DA NOSSA FÉ. ELE É O CENTRO DELA.
2. JESUS NÃO É UM MEIO PARA CHEGARMOS A OUTRA COISA
Grande parte do discurso religioso moderno corre o risco de transformar Jesus em ferramenta.
“Venha para Jesus e prospere.”
“Venha para Jesus e realize seus sonhos.”
“Venha para Jesus e consiga aquilo que deseja.”
Mas o Evangelho apresenta algo muito maior.
Paulo escreveu:
“Para mim, o viver é Cristo.”
Filipenses 1:21
E:
“Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.”
Filipenses 3:8
Jesus não é o caminho para chegarmos ao nosso verdadeiro tesouro.
ELE É O TESOURO.
Leia também:
Mateus 13:44-46; João 6:35; João 15:4-5; Filipenses 3:7-11; Colossenses 2:2-3.
3. O QUE SIGNIFICA EKKLESIA?
O termo grego ekklesia é usado no Novo Testamento para assembleia, congregação ou comunidade.
É importante evitar uma etimologia popular simplista segundo a qual ekklesia significaria literalmente apenas “os chamados para fora”. O uso real da palavra no Novo Testamento é mais importante do que desmontar a palavra em partes.
Jesus diz:
“Edificarei a minha igreja.”
Mateus 16:18
Paulo escreve:
“Vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.”
1 Coríntios 12:27
A Igreja, portanto, não é fundamentalmente concreto.
Não é CNPJ.
Não é placa.
Não é palco.
Não é denominação.
Não é patrimônio.
É um povo pertencente a Cristo.
Compare:
Mateus 18:20; Atos 2:42-47; Atos 12:5; Romanos 12:4-5; 1 Coríntios 10:17; 1 Coríntios 12:12-27; Efésios 1:22-23; Efésios 2:19-22; Efésios 4:4-16; Efésios 5:23-27; Colossenses 1:18.
4. IGREJA NÃO É SINÔNIMO DE TEMPLO
Essa distinção aparece repetidamente nas Escrituras.
Estêvão declara:
“O Altíssimo não habita em casas feitas por mãos humanas.”
Atos 7:48
Paulo afirma em Atenas:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe… não habita em santuários feitos por mãos humanas.”
Atos 17:24
E aos coríntios:
“Não sabeis que sois santuário de Deus?”
1 Coríntios 3:16
Pedro descreve os discípulos como:
“Pedras vivas… edificados casa espiritual.”
1 Pedro 2:5
Efésios 2:19-22 apresenta Cristo como pedra angular e os discípulos sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.
A mudança é profunda:
AS PEDRAS DO NOVO TEMPLO TÊM NOME, HISTÓRIA E ROSTO.
5. AS IGREJAS NAS CASAS
O Novo Testamento registra explicitamente comunidades reunindo-se em residências.
Leia:
Romanos 16:5 — “a igreja que está na casa deles”.
1 Coríntios 16:19 — Áquila e Priscila e a igreja reunida na casa deles.
Colossenses 4:15 — Ninfa e a igreja que se reunia em sua casa.
Filemom 1:2 — “à igreja que está em tua casa”.
Atos 2:46 — partiam o pão de casa em casa.
Atos 5:42 — ensinavam no templo e de casa em casa.
Atos 20:20 — Paulo ensinava publicamente e pelas casas.
Isso não demonstra que cristãos só podem reunir-se em residências.
O próprio livro de Atos registra outros espaços.
O princípio é:
A EKKLESIA NÃO DEPENDE DE UM EDIFÍCIO RELIGIOSO PARA SER EKKLESIA.
6. ENTÃO SOMOS CONTRA TEMPLOS?
Não.
Esse curso não pretende substituir templocentrismo por “casacentrismo”.
Uma casa também poderia virar objeto de idolatria.
O local é secundário.
Podemos reunir-nos em:
casas;
apartamentos;
salões;
praças;
parques;
cafés;
espaços alugados;
auditórios;
ambientes virtuais;
ou templos.
Mateus 18:20 registra Jesus dizendo:
“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”
O centro da frase não é o número dois ou três como fórmula para definir formalmente uma igreja.
O centro é Cristo presente entre aqueles reunidos em seu nome.
Portanto:
O PROBLEMA NÃO É O TEMPLO. É O TEMPLOCENTRISMO.
7. TEMPLOCENTRISMO, ANTROPOCENTRISMO E CRISTOCENTRISMO
Precisamos distinguir três coisas.
Templocentrismo
É quando a estrutura ocupa o centro.
O prédio.
O endereço.
O patrimônio.
A instituição.
A programação.
A manutenção da máquina.
O templo pode ser ferramenta legítima.
Torna-se problema quando a Igreja passa a existir para sustentar a estrutura, em vez de a estrutura existir para servir às pessoas e à missão.
Antropocentrismo
É quando o homem ocupa o centro.
Minha vitória.
Minha prosperidade.
Minha realização.
Meu sucesso.
Meu chamado.
Meu ministério.
Meu líder.
Minha experiência.
Jesus passa a ser tratado como instrumento para concretizar os sonhos humanos.
Compare Lucas 9:23; Mateus 16:24-26; Gálatas 2:20; Filipenses 3:7-11.
Cristocentrismo
É quando Cristo possui a preeminência.
“Para que em tudo tenha a preeminência.”
Colossenses 1:18
Não significa negar pessoas ou espaços.
Significa colocar cada coisa no lugar correto.
8. A ESCRITURA PRECISA SER INTERPRETADA
Uma das frases mais perigosas pode ser:
“ESTÁ NA BÍBLIA.”
Sim, mas o que está?
Quem falou?
Para quem?
Quando?
Por quê?
Em qual gênero literário?
Sob qual aliança?
Em qual circunstância histórica?
É descrição ou prescrição?
Jesus mostrou aos discípulos como Moisés e os Profetas apontavam para Ele:
Lucas 24:27.
Depois:
Lucas 24:44-45.
Paulo diz:
“Toda Escritura é inspirada por Deus…”
2 Timóteo 3:16
Portanto, não desprezamos nenhuma parte das Escrituras.
Mas inspiração não elimina interpretação.
Pedro inclusive reconheceu que havia coisas difíceis nas cartas de Paulo, que pessoas ignorantes distorciam:
2 Pedro 3:15-16.
Precisamos de humildade hermenêutica.
9. ANTIGA ALIANÇA E NOVA ALIANÇA
A Bíblia possui continuidade, mas também desenvolvimento da história da redenção.
Jeremias profetizou uma Nova Aliança:
Jeremias 31:31-34.
Jesus declarou sobre o cálice:
“Este cálice é a nova aliança no meu sangue.”
Lucas 22:20
Hebreus desenvolve isso extensamente:
Hebreus 7:18-22; 8:6-13; 9:11-15; 10:1-18.
Hebreus 8:13 afirma que, ao falar em Nova Aliança, Deus tornou antiquada a primeira.
Isso não significa jogar o Antigo Testamento fora.
Significa lê-lo à luz de seu cumprimento em Cristo.
10. ATOS 15 E O PERIGO DE JUDAIZAR O EVANGELHO
Atos 15 é fundamental.
Alguns ensinavam:
“Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.”
Atos 15:1
A questão foi levada aos apóstolos.
Pedro pergunta:
“Por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar?”
Atos 15:10
E declara:
“Cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus.”
Atos 15:11
Isso estabelece um princípio fundamental:
Não podemos simplesmente transportar toda a legislação da aliança mosaica para os discípulos gentios.
Compare também:
Gálatas 2:16; 3:1-29; 5:1-6; Colossenses 2:16-23; Romanos 7:4-6.
11. EVANGELHO É GRAÇA
O Evangelho não começa com aquilo que fazemos por Deus.
Começa com aquilo que Deus fez em Cristo.
Romanos 3:23-24.
Romanos 5:1.
Romanos 5:6-8.
Efésios 2:1-10.
Tito 3:3-7.
1 João 4:9-10.
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”
1 João 4:19
Isso destrói a religião da barganha.
Não oramos para Deus começar a nos amar.
Não jejuamos para comprar favor.
Não ofertamos para adquirir bênção.
Não fazemos campanha para obrigar Deus a agir.
A cruz revela que a iniciativa é de Deus.
12. OBRAS: PREÇO OU FRUTO?
Efésios 2:8-9 ensina salvação pela graça mediante a fé, não pelas obras.
Mas o versículo seguinte é igualmente importante:
“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras.”
Efésios 2:10
Portanto:
BOAS OBRAS NÃO COMPRAM A SALVAÇÃO.
Mas a graça que salva produz transformação.
Tiago 2:14-18 confronta uma fé morta e sem frutos.
Jesus diz:
“Pelos seus frutos os conhecereis.”
Mateus 7:16
A ordem é essencial:
GRAÇA → NOVA VIDA → FRUTOS.
Não:
OBRAS → MÉRITO → COMPRA DO FAVOR DE DEUS.
13. LIBERDADE CRISTÃ
Paulo escreve:
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.”
Gálatas 5:1
Mas acrescenta:
“Não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.”
Gálatas 5:13
E:
“Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”
1 Coríntios 6:12
Portanto, liberdade cristã não é libertinagem.
Não é:
“Agora faço tudo que quero.”
É libertação da escravidão do pecado e da tentativa de justificar-se por sistemas humanos.
Leia também:
João 8:31-36; Romanos 6:1-23; Romanos 8:1-4; 1 Coríntios 10:23-24; Gálatas 5:13-26.
14. “PODE OU NÃO PODE?”
Uma fé infantil frequentemente reduz a vida cristã a listas.
Pode?
Não pode?
Pode ouvir?
Pode vestir?
Pode entrar?
Pode assistir?
A maturidade bíblica desenvolve discernimento.
Romanos 12:2 fala em transformação da mente para experimentar a vontade de Deus.
Hebreus 5:14 descreve os maduros como aqueles que têm suas faculdades exercitadas para discernir bem e mal.
1 Coríntios 10:23 acrescenta:
“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.”
Então podemos perguntar:
Isso me domina?
Edifica?
Fere alguém?
Viola claramente um princípio de Cristo?
Produz fruto saudável?
Posso fazê-lo com consciência diante de Deus?
15. SANTIDADE NÃO É ISOLAMENTO
Jesus não construiu uma bolha religiosa.
Marcos 2:15-17 registra Jesus comendo com publicanos e pecadores.
Os religiosos questionaram.
Jesus respondeu:
“Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.”
Em Lucas 7:34, seus adversários chegaram a acusá-lo por sua proximidade com publicanos e pecadores.
João 4 registra Jesus conversando com uma samaritana.
Lucas 19 registra Jesus entrando na casa de Zaqueu.
João 2 registra sua presença num casamento em Caná.
Isso não significa aprovação irrestrita de todo comportamento.
Jesus também chamava ao arrependimento.
Mas existe uma conclusão inevitável:
SANTIDADE NÃO É MEDO DE ESTAR PERTO DE PECADORES.
Caso contrário, como seremos sal e luz?
Mateus 5:13-16.
16. CONGREGAR: HEBREUS 10:25
Este texto precisa ser lido desde o versículo 19.
Hebreus 10:19-25 fala de acesso a Deus pelo sangue de Jesus, aproximação com coração sincero, perseverança, consideração mútua, amor, boas obras e encorajamento.
Então aparece:
“Não deixemos de congregar-nos…”
Hebreus 10:25
O texto não diz:
“Não deixe de entrar num templo todos os domingos.”
Mas também não autoriza:
“Não preciso de ninguém.”
O contexto é profundamente comunitário.
Congregar envolve:
presença;
encorajamento;
amor;
boas obras;
perseverança;
cuidado mútuo.
NÃO ABANDONAMOS A COMUNHÃO.
Abandonamos a ideia de que comunhão pertence exclusivamente a determinado endereço.
17. O CORPO PRECISA UNS DOS OUTROS
1 Coríntios 12 é decisivo.
Paulo compara a Igreja a um corpo.
O olho não pode dizer à mão:
“Não preciso de ti.”
1 Coríntios 12:21
Portanto, cristocentrismo não significa individualismo espiritual.
Não precisamos de gurus.
Mas precisamos de irmãos.
Romanos 12:4-10.
1 Coríntios 12:12-27.
Gálatas 6:2.
Efésios 4:15-16.
Hebreus 3:13.
Tiago 5:16.
18. LIDERANÇA EXISTE
Também seria erro concluir que o Novo Testamento elimina liderança.
Atos 14:23 registra presbíteros sendo estabelecidos nas igrejas.
Atos 20:17-28 fala aos presbíteros de Éfeso.
Filipenses 1:1 menciona bispos/supervisores e diáconos.
1 Timóteo 3:1-13 apresenta qualificações.
Tito 1:5-9 também.
Efésios 4:11-13 menciona diferentes ministérios visando ao aperfeiçoamento dos santos.
Portanto, liderança existe.
A questão é:
QUE TIPO DE LIDERANÇA?
19. LIDERANÇA NÃO É DOMINAÇÃO
Jesus estabelece uma ruptura radical com modelos de poder:
“Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva.”
Marcos 10:43
Leia Marcos 10:42-45.
Jesus contrasta governantes que dominam com o padrão do Reino.
Pedro segue a mesma linha:
“Pastoreai o rebanho de Deus… não como dominadores dos que vos foram confiados.”
1 Pedro 5:2-3
E aponta para Cristo como:
“Supremo Pastor.”
1 Pedro 5:4
Portanto:
PASTOR NÃO É DONO DE OVELHA.
Cristo é.
20. UM ÚNICO MEDIADOR
Paulo escreve:
“Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.”
1 Timóteo 2:5
Hebreus desenvolve o acesso do discípulo a Deus através de Cristo:
Hebreus 4:14-16.
Hebreus 7:23-28.
Hebreus 9:15.
Hebreus 10:19-22.
Nenhum líder precisa funcionar como pedágio entre o discípulo e Cristo.
Podemos receber aconselhamento.
Ensino.
Correção.
Pastoreio.
Oração.
Mas nosso acesso ao Pai não depende da autorização de um guru religioso.
21. “COBERTURA ESPIRITUAL”
A expressão moderna “cobertura espiritual” precisa ser examinada biblicamente.
O Novo Testamento fala de pastoreio, supervisão, ensino, cuidado, submissão e prestação de contas.
Mas devemos ter cuidado quando a expressão passa a significar que um cristão precisa pertencer espiritualmente a determinado líder para estar protegido por Deus.
Cristo é apresentado como:
Cabeça — Colossenses 1:18.
Pastor — João 10:11.
Supremo Pastor — 1 Pedro 5:4.
Mediador — 1 Timóteo 2:5.
Sumo Sacerdote — Hebreus 4:14.
Advogado — 1 João 2:1.
Isso não elimina líderes.
COLOCA OS LÍDERES NO LUGAR CERTO.
22. O SACERDÓCIO DOS DISCÍPULOS
Pedro escreve:
“Vós também, quais pedras vivas, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo.”
1 Pedro 2:5
E:
“Vós sois raça eleita, sacerdócio real…”
1 Pedro 2:9
Isso não significa que todos possuam o mesmo dom ou função.
Mas desmonta a ideia de uma classe espiritual superior que monopoliza acesso a Deus.
Todos pertencemos ao Corpo.
Todos servimos sob Cristo.
23. DONS DIFERENTES, UM SÓ CORPO
Leia:
Romanos 12:3-8.
1 Coríntios 12:4-31.
Efésios 4:7-16.
1 Pedro 4:10-11.
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu.”
1 Pedro 4:10
Dom não é troféu.
Dom é responsabilidade.
Ministério não é trono.
MINISTÉRIO É SERVIÇO.
24. NÃO SOMOS DE HOMENS
A Igreja de Corinto estava dividindo-se em torno de personalidades.
“Eu sou de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas…”
1 Coríntios 1:12
Paulo pergunta:
“Acaso Cristo está dividido?”
1 Coríntios 1:13
Depois:
“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.”
1 Coríntios 3:6
E conclui:
“Que é, pois, Apolo? E que é Paulo? Servos…”
1 Coríntios 3:5
Isso precisa ser gravado em nossa identidade.
Não somos do Charles.
Não somos da Juliana.
Não somos de qualquer futuro líder.
SOMOS DE CRISTO.
25. DÍZIMO NO ANTIGO TESTAMENTO
Esse assunto exige estudo sério.
Leia integralmente:
Levítico 27:30-33.
Números 18:20-32.
Deuteronômio 12:5-19.
Deuteronômio 14:22-29.
Deuteronômio 26:12-15.
Neemias 10:35-39.
Neemias 13:10-13.
Malaquias 3:8-10.
Esses textos mostram dízimos associados à realidade agrária de Israel, levitas, produtos da terra e rebanhos, festas e provisão para pessoas vulneráveis.
Deuteronômio 14:28-29 inclui:
levita;
estrangeiro;
órfão;
viúva.
Portanto, Malaquias 3 não deveria ser arrancado desse universo e automaticamente transformado numa fórmula:
“Todo cristão deve entregar exatamente dez por cento de seu salário à conta bancária de uma denominação, ou estará roubando Deus.”
Essa conclusão precisa ser demonstrada no Novo Testamento, não apenas presumida.
26. GENEROSIDADE NA NOVA ALIANÇA
O Novo Testamento ensina generosidade abundantemente.
Atos 2:44-45.
Atos 4:32-35.
Atos 11:27-30.
Romanos 12:13.
1 Coríntios 16:1-4.
2 Coríntios 8–9.
Gálatas 2:10.
Filipenses 4:14-18.
1 Timóteo 6:17-19.
Mas observe:
“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade.”
2 Coríntios 9:7
Contribuição cristã deve envolver:
generosidade;
liberdade;
alegria;
responsabilidade;
amor;
cuidado.
Não coerção espiritual.
27. O SUSTENTO DE QUEM SERVE
Precisamos evitar outro extremo.
O Novo Testamento permite sustento legítimo de trabalhadores do Evangelho.
Jesus disse:
“Digno é o trabalhador do seu salário.”
Lucas 10:7
Paulo escreve:
“Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho.”
1 Coríntios 9:14
Veja também 1 Timóteo 5:17-18.
Portanto, sustento não é automaticamente mercenarismo.
A questão é:
transparência;
motivação;
proporcionalidade;
serviço real;
ausência de exploração.
28. DINHEIRO NÃO COMPRA DEUS
Simão tentou comprar poder espiritual.
Pedro respondeu duramente:
“O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.”
Atos 8:20
Jesus disse aos discípulos:
“De graça recebestes, de graça dai.”
Mateus 10:8
Isso não elimina sustento legítimo, mas estabelece uma barreira contra comercializar a graça.
Não se vende:
perdão;
oração;
cura;
profecia;
acesso a Deus;
favor divino.
29. RECURSOS DEVEM SERVIR PESSOAS
Atos 4:34-35 registra distribuição:
“a cada um à medida que alguém tinha necessidade.”
Tiago 2:15-16 pergunta o valor de palavras religiosas diante de um irmão sem roupa e alimento.
1 João 3:17 pergunta como o amor de Deus pode permanecer naquele que possui recursos, vê seu irmão necessitado e fecha o coração.
Leia também:
Deuteronômio 15:7-11;
Provérbios 19:17;
Isaías 58:6-10;
Mateus 25:31-46;
Lucas 14:12-14;
Tiago 1:27.
Uma estrutura cristã que prospera enquanto ignora pessoas deveria examinar suas prioridades.
30. A CEIA DO SENHOR
Leia primeiro os relatos:
Mateus 26:26-29.
Marcos 14:22-25.
Lucas 22:14-20.
Depois:
1 Coríntios 10:16-17.
1 Coríntios 11:17-34.
A Ceia nasce no contexto da última refeição de Jesus com seus discípulos e é retomada por Paulo na vida comunitária.
Em Corinto havia divisão.
Alguns comiam.
Outros passavam necessidade.
Alguns se embriagavam.
Outros eram humilhados.
1 Coríntios 11:22 pergunta:
“Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?”
Isso precisa integrar nossa interpretação de “comer indignamente”.
Não é apenas introspecção individual.
Existe uma dimensão profundamente comunitária.
31. “FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”
O centro da Ceia é novamente Cristo.
“Fazei isto em memória de mim.”
1 Coríntios 11:24-25
E:
“Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.”
1 Coríntios 11:26
A Ceia olha:
para trás — cruz;
para dentro — exame;
ao redor — Corpo;
para frente — Ele vem.
Cristo permanece no centro.
32. BATISMO
Jesus ordenou:
“Fazei discípulos… batizando-os…”
Mateus 28:19
Atos registra repetidamente fé e batismo:
Atos 2:38-41.
Atos 8:12.
Atos 8:36-38.
Atos 10:47-48.
Atos 16:30-34.
Romanos 6:3-4 relaciona batismo à união com Cristo em morte e ressurreição.
Gálatas 3:27:
“Todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes.”
Batismo aponta para Cristo.
Não deveria ser tratado como certificado de propriedade de determinada denominação.
33. ADORAÇÃO NÃO PERTENCE A UM ENDEREÇO
João 4 é fundamental.
A samaritana pergunta sobre o lugar correto da adoração.
Jesus responde:
“Nem neste monte, nem em Jerusalém…”
João 4:21
E:
“Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.”
João 4:23
O local deixa de ser o eixo central.
Romanos 12:1 amplia ainda mais:
“Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo… que é o vosso culto racional.”
Adoração é vida.
34. MÚSICA NÃO É SINÔNIMO DE ADORAÇÃO
Música pode expressar adoração.
Mas adoração não se reduz à música.
Colossenses 3:16 fala de salmos, hinos e cânticos espirituais.
Efésios 5:18-20 também.
Mas Romanos 12:1 relaciona culto à vida inteira.
Portanto, cantar durante uma hora e viver de maneira contrária a Cristo durante a semana é uma contradição.
Isaías 1:11-17 e Amós 5:21-24 já confrontavam culto desconectado de justiça.
35. “MÚSICA GOSPEL” E “MÚSICA DO MUNDO”
O Novo Testamento não apresenta essas categorias modernas como nossa régua principal de discernimento.
Paulo diz:
“Examinai tudo, retende o que é bom.”
1 Tessalonicenses 5:21
Filipenses 4:8 chama a atenção para aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama.
Atos 17:28 mostra Paulo inclusive citando autores gregos em sua argumentação.
Portanto:
O RÓTULO NÃO SANTIFICA A LETRA.
Uma música chamada gospel pode ser teologicamente ruim.
Uma música fora do mercado gospel pode conter beleza, verdade e elementos dignos de reflexão.
Discernimento é mais trabalhoso do que etiqueta.
36. SÃ DOUTRINA
Paulo fala repetidamente em “sã doutrina”.
1 Timóteo 1:10.
2 Timóteo 4:3.
Tito 1:9.
Tito 2:1.
“Sã” carrega a ideia de saudável.
Doutrina saudável não existe para alimentar orgulho intelectual.
Ela forma vida.
Tito 2 conecta doutrina a sobriedade, domínio próprio, amor, fidelidade e boas obras.
Jesus diz:
“Pelos seus frutos os conhecereis.”
Mateus 7:16
37. PROFECIA E “DEUS ME DISSE”
Precisamos de temor.
1 Tessalonicenses 5:20-21 diz:
“Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas.”
1 Coríntios 14:29:
“Falem dois ou três profetas, e os outros julguem.”
Isso mostra duas coisas simultaneamente:
não desprezar;
não aceitar sem discernimento.
Portanto, ninguém deveria usar “Deus me disse” para encerrar uma conversa ou controlar outra pessoa.
Examinamos.
Comparamos.
Discernimos.
38. O ESPÍRITO SANTO E OS FRUTOS
Experiência emocional pode ser legítima.
Mas emoção, sozinha, não demonstra maturidade espiritual.
Paulo apresenta:
“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”
Gálatas 5:22-23
Jesus:
“Pelos frutos os conhecereis.”
Mateus 7:16
1 Coríntios 13 afirma que dons extraordinários sem amor podem coexistir com profunda pobreza espiritual.
Portanto:
MENOS OBSESSÃO PELO ESPETÁCULO. MAIS ATENÇÃO AO FRUTO.
39. DISCIPULADO
Jesus não ordenou:
“Produzam frequentadores.”
Ordenou:
“Fazei discípulos.”
Mateus 28:19
Discípulo segue.
Aprende.
Obedece.
É transformado.
Lucas 9:23:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.”
João 8:31:
“Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos.”
João 13:35:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
40. O OBJETIVO É PARECER COM CRISTO
Romanos 8:29 fala de sermos conformados à imagem do Filho.
Gálatas 4:19:
“Até ser Cristo formado em vós.”
2 Coríntios 3:18 fala de transformação na mesma imagem.
Efésios 4:13 fala da medida da estatura da plenitude de Cristo.
Portanto, a pergunta fundamental não é:
“Quantos cultos frequentei?”
Mas:
QUANTO DE CRISTO ESTÁ SENDO FORMADO EM MIM?
41. MISSÃO ACONTECE FORA DAS QUATRO PAREDES
Jesus diz:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações.”
Mateus 28:19
Atos 1:8 fala de testemunho até os confins da terra.
Mateus 5:13-16 fala de sal e luz.
A missão pode acontecer:
na rua;
na empresa;
no hospital;
no táxi;
na universidade;
na internet;
na vizinhança;
na mesa;
no trabalho.
Não precisamos levar todas as pessoas primeiro a um templo para então apresentar Cristo.
Podemos levar Cristo conosco até onde as pessoas estão.
42. O “IDE” NÃO É COERÇÃO
Jesus anunciava.
Convidava.
Chamava.
Mas pessoas também podiam rejeitar.
Mateus 10:14 mostra os discípulos seguindo adiante quando uma mensagem era recusada.
Mateus 16:24:
“Se alguém quer vir após mim…”
O Evangelho deve ser anunciado.
Não imposto pela força.
Não precisamos ganhar todas as discussões.
Precisamos testemunhar de Cristo.
43. CUIDADO COM OS VULNERÁVEIS
Tiago escreve:
“A religião pura e sem mácula… é visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações.”
Tiago 1:27
Jesus:
“Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
Mateus 25:40
Leia também:
Lucas 10:25-37 — bom samaritano.
Lucas 14:12-14 — convidar quem não pode retribuir.
1 João 3:16-18 — amar em ação e verdade.
Gálatas 2:10 — lembrar dos pobres.
Cristocentrismo que não enxerga pessoas feridas tornou-se apenas discurso.
44. AMOR NÃO É OPCIONAL
Jesus disse:
“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei.”
João 13:34
E:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos…”
João 13:35
1 Coríntios 13:1-3 é ainda mais radical.
Posso falar línguas.
Profetizar.
Conhecer mistérios.
Ter enorme fé.
Dar bens.
E, sem amor:
“Nada serei.”
45. MAS NÃO SOMOS “AMORCENTRISTAS”
Amor não substitui Cristo.
Cristo define nosso amor.
“Assim como eu vos amei.”
João 13:34
1 João 4:7-11 conecta nosso amor ao amor manifestado por Deus em Cristo.
Portanto:
CRISTO CONTINUA NO CENTRO.
Amamos porque fomos amados.
46. CORREÇÃO E RESTAURAÇÃO
Uma comunidade saudável não é permissividade absoluta.
Mateus 18:15-17 ensina processos de confronto e reconciliação.
Gálatas 6:1:
“Se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura.”
2 Timóteo 2:24-25 orienta correção com mansidão.
Portanto:
Verdade sem amor vira brutalidade.
Amor sem verdade pode virar permissividade.
O caminho de Cristo exige ambos.
47. PERGUNTAR NÃO É REBELDIA
Atos 17:11 novamente oferece nosso modelo.
Os bereanos examinavam Paulo.
1 Coríntios 14:29 manda avaliar profecias.
1 João 4:1:
“Não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos.”
Perguntar pode ser exercício de responsabilidade espiritual.
Líderes saudáveis não deveriam precisar manter pessoas intelectualmente dependentes.
48. TRADIÇÃO PRECISA SER EXAMINADA
Nem toda tradição é ruim.
Paulo usa o conceito de tradição positivamente em contextos como 2 Tessalonicenses 2:15.
O problema é quando tradição humana neutraliza a Palavra de Deus.
Jesus confronta isso:
“Invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição.”
Marcos 7:13
Portanto:
NÃO REJEITAMOS ALGO POR SER ANTIGO.
Nem aceitamos algo simplesmente porque “sempre foi assim”.
Examinamos.
49. A EKKLESIA NÃO PODE VIRAR UM NOVO SISTEMA INTOCÁVEL
Esse princípio precisa existir desde o primeiro dia.
Se começarmos questionando estruturas e terminarmos criando uma estrutura impossível de questionar, fracassamos.
Se começarmos denunciando culto à personalidade e criarmos culto a Charles, fracassamos.
Se começarmos afirmando que Cristo é a Cabeça e depois tratarmos nossa comunidade como indispensável à salvação, fracassamos.
Por isso:
CRISTO NO CENTRO. TODO O RESTO PODE SER QUESTIONADO.
Inclusive a Ekklesia Cristocêntrica.
50. COMO PODEMOS NOS REUNIR?
Atos 2:42 oferece quatro elementos fundamentais:
“Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Isso nos oferece um excelente eixo:
PALAVRA.
COMUNHÃO.
MESA.
ORAÇÃO.
Acrescente:
serviço — Gálatas 5:13.
generosidade — 2 Coríntios 9:7.
cuidado — Gálatas 6:2.
louvor — Colossenses 3:16.
confissão e oração — Tiago 5:16.
missão — Mateus 28:19-20.
51. REUNIÕES PARTICIPATIVAS
1 Coríntios 14:26 registra:
“Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outra língua, e ainda outro interpretação. Seja tudo feito para edificação.”
Precisamos interpretar o capítulo inteiro com cuidado, mas existe ali uma dimensão participativa evidente.
Isso combina com nossa proposta:
alguém ensina;
outro pergunta;
outro apresenta um texto;
outro testemunha;
outro ora;
outro serve;
e tudo é examinado.
O objetivo:
EDIFICAÇÃO DO CORPO.
Não promoção de uma celebridade.
52. MINISTÉRIO É SERVIÇO
Jesus declarou:
“Eu estou entre vós como quem serve.”
Lucas 22:27
Marcos 10:45:
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.”
Se o próprio Cristo serve, ninguém deveria transformar ministério em trono.
Administração é ministério.
Ensino é serviço.
Intercessão é serviço.
Música é serviço.
Tecnologia pode ser serviço.
Hospitalidade é serviço.
Cuidado é serviço.
Quem limpa uma mesa pode estar servindo tanto quanto quem ensina.
53. ESTRUTURA E ADMINISTRAÇÃO
Espiritualidade não significa desorganização.
Atos 6:1-7 mostra uma necessidade prática envolvendo distribuição de alimentos e organização.
Foram estabelecidas pessoas para lidar com a questão.
1 Coríntios 14:40 diz:
“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.”
Portanto, podemos ter:
administração;
tecnologia;
sites;
servidores;
contabilidade;
organização;
comunicação;
processos.
O problema não é estrutura.
O PROBLEMA É QUANDO A ESTRUTURA SE TORNA O SENHOR.
54. PRESTAÇÃO DE CONTAS
Quando Paulo organiza uma coleta, demonstra preocupação com integridade.
2 Coríntios 8:20-21 fala em evitar censura na administração da oferta e procurar fazer aquilo que é correto diante do Senhor e dos homens.
Isso fornece um princípio valioso.
Se a comunidade movimentar recursos:
transparência;
registro;
prestação de contas;
responsabilidade compartilhada.
Dinheiro escondido gera poder escondido.
55. O PAPEL DE QUEM SERVE NA ADMINISTRAÇÃO
Na Ekklesia, meu desejo é servir especialmente naquilo em que posso contribuir administrativamente.
Site.
Tecnologia.
Servidores.
Publicações.
Comunicação.
Organização.
Manutenção.
Isso não me transforma em mediador.
Não me transforma em proprietário da comunidade.
Não me coloca acima dos irmãos.
É SERVIÇO.
E desejo permanecer simplesmente como:
DISCÍPULO DE CRISTO.
56. NOSSA IDENTIDADE NÃO É “DESIGREJADOS”
Algumas pessoas poderão chamar quem caminha conosco de “desigrejado”.
Esse rótulo não precisa determinar nossa identidade.
Se Igreja é Corpo de Cristo, alguém pode deixar uma denominação sem necessariamente deixar Cristo.
Mas também alguém pode sair de uma instituição e cair em isolamento, amargura ou abandono da fé.
Por isso não romantizamos nenhuma das situações.
Nossa identidade principal é:
EM CRISTO.
Não “igrejado”.
Não “desigrejado”.
Cristo.
57. NÃO QUEREMOS FERIR QUEM PERMANECE EM DENOMINAÇÕES
Esse ponto é importante.
Existem comunidades saudáveis.
Existem líderes sinceros.
Existem templos utilizados para servir pessoas.
Existem irmãos crescendo espiritualmente dentro de estruturas denominacionais.
A Ekklesia Cristocêntrica não exige que alguém abandone uma comunidade saudável para caminhar conosco.
Nosso chamado não é:
“SAIA DA SUA IGREJA.”
É:
“COLOQUE CRISTO NO CENTRO.”
Se você consegue fazer isso numa comunidade denominacional saudável, graças a Deus.
58. O FRUTO É UMA RÉGUA IMPORTANTE
Jesus disse:
“Pelos seus frutos os conhecereis.”
Mateus 7:16
Isso vale para:
líderes;
comunidades;
movimentos;
e para nós mesmos.
Não basta dizer:
“Somos cristocêntricos.”
Que frutos aparecem?
Amor?
Serviço?
Humildade?
Generosidade?
Verdade?
Misericórdia?
Domínio próprio?
Reconciliação?
Ou arrogância e superioridade?
Se cristocentrismo nos fizer olhar todos os outros de cima para baixo, alguma coisa saiu do centro.
59. NOSSO OBJETIVO FINAL
Não queremos construir uma instituição impressionante.
Queremos ver Cristo formado em pessoas.
Gálatas 4:19.
Romanos 8:29.
2 Coríntios 3:18.
Efésios 4:13.
Colossenses 1:28:
“A fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.”
Essa é uma excelente descrição do discipulado:
MATURIDADE EM CRISTO.
60. NOSSO PLANO
Depois de tudo isso, alguém poderá perguntar:
“Então qual é o plano da Ekklesia?”
Nossa resposta pode começar em Atos 2:42:
PERSEVERAR NA PALAVRA.
PERSEVERAR NA COMUNHÃO.
PARTIR O PÃO.
ORAR.
E acrescentar aquilo que encontramos por todo o Novo Testamento:
amar;
servir;
cuidar;
contribuir voluntariamente;
ensinar;
aprender;
questionar;
discernir;
corrigir com mansidão;
perdoar;
acolher;
socorrer necessitados;
evangelizar;
batizar;
celebrar a Ceia;
desenvolver dons;
formar discípulos;
e enviar discípulos para fazer outros discípulos.
Podemos começar numa casa.
Num grupo online.
Numa mesa.
Num encontro pelo Google Meet.
Num salão.
Numa praça.
Ou, se algum dia for útil, até dentro de um templo.
Porque o endereço pode mudar.
O FUNDAMENTO NÃO.
CONCLUSÃO — VOLTANDO AO CENTRO
Talvez tenhamos construído coisas demais ao redor de Jesus.
Sistemas.
Placas.
Hierarquias.
Prédios.
Métodos.
Campanhas.
Produtos.
Celebridades.
Discussões.
Tradições.
Algumas dessas coisas podem ser ferramentas legítimas.
Outras precisarão ser abandonadas.
Mas existe uma pergunta que queremos fazer continuamente:
SE TIRARMOS TUDO ISSO, CRISTO AINDA SERÁ SUFICIENTE?
Se tirarmos o templo, continuamos Igreja?
Se tirarmos o palco, continuamos adorando?
Se tirarmos o microfone, continuamos testemunhando?
Se tirarmos o título, continuamos servindo?
Se tirarmos o dinheiro, continuamos amando?
Se tirarmos a denominação, continuamos irmãos?
Se tirarmos o líder carismático, continuamos seguindo Jesus?
Se tirarmos as promessas de prosperidade, continuamos desejando Cristo?
Essa talvez seja uma das provas mais profundas do cristocentrismo.
Paulo escreveu:
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.”
Romanos 11:36
João Batista disse:
“Convém que ele cresça e que eu diminua.”
João 3:30
Paulo declarou:
“Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”
Gálatas 2:20
Jesus disse:
“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.”
João 15:4
E novamente:
“Sem mim nada podeis fazer.”
João 15:5
É para isso que desejamos caminhar.
Não para uma nova religião.
Não para uma nova dependência humana.
Não para uma nova placa.
Não para um novo guru.
Não para uma nova guerra entre “igrejados” e “desigrejados”.
Mas para uma vida comunitária na qual possamos dizer:
CRISTO É A CABEÇA.
CRISTO É O FUNDAMENTO.
CRISTO É O MEDIADOR.
CRISTO É O SUPREMO PASTOR.
CRISTO É O CAMINHO.
CRISTO É A VERDADE.
CRISTO É A VIDA.
E nós?
Irmãos.
Discípulos.
Servos.
Pedras vivas.
Membros uns dos outros.
Um Corpo.
Uma comunidade reunida em torno Dele.
EKKLESIA CRISTOCÊNTRICA
Uma comunidade reunida em torno de Cristo.
CRISTO NO CENTRO.
TODO O RESTO PODE SER QUESTIONADO.
“Ele é a cabeça do corpo, da igreja… para que em tudo tenha a preeminência.”
Colossenses 1:18
Orientação final para quem estudar este material: não encerre o estudo aqui. Pegue cada referência bíblica citada, abra a Bíblia, leia o capítulo inteiro quando possível, compare traduções, observe o contexto, converse com outros irmãos e confronte inclusive as conclusões deste curso com as Escrituras. Onde estivermos errados, que tenhamos humildade para corrigir. Onde houver questões legítimas de interpretação, que tenhamos maturidade para continuar irmãos mesmo discordando. E onde as Escrituras forem claras, que tenhamos coragem não apenas para concordar — mas para obedecer.

