Aprenda: examine as Escrituras para conhecer Cristo, compreender o Evangelho e crescer na verdade

Antes de estudar, ore

Pai, eu me aproximo da tua Palavra com humildade e desejo sincero de conhecer a verdade.

Não permita que eu leia as Escrituras apenas para confirmar aquilo que já penso, defender tradições humanas ou vencer discussões. Livra-me do orgulho, da religiosidade vazia e de todo ensino que coloque qualquer coisa acima de Cristo.

Abre meu entendimento para compreender as Escrituras. Ensina-me a distinguir cada aliança, cada contexto, cada propósito e cada momento da história da redenção.

Mostra-me Cristo em toda a Palavra.

Ajuda-me a compreender sua vida, sua morte no Calvário, sua ressurreição, a Nova Aliança estabelecida por ele e o Evangelho da graça anunciado pelos seus apóstolos.

Dá-me discernimento para não acrescentar ao Evangelho aquilo que Cristo não colocou nele e para não retirar dele aquilo que Cristo ensinou.

Que eu não seja apenas alguém que acumula conhecimento bíblico, mas alguém transformado pela verdade.

Que tua Palavra produza em mim fé, amor, sabedoria, liberdade, santidade, misericórdia, serviço e um caráter cada vez mais parecido com o de Jesus.

Espírito Santo, conduz-me à verdade e glorifica Cristo em meu entendimento e em minha vida.

Que Jesus permaneça no centro.

Em nome de Jesus.

Amém.


Tudo começa em Cristo. Agora precisamos aprender com ele.

Na primeira etapa da nossa caminhada, o convite foi:

ENCONTRE.

Encontre Cristo.

Não simplesmente uma religião, denominação, templo, tradição ou sistema religioso. Conheça aquele que está no centro do Evangelho: Jesus Cristo.

Agora chegamos à segunda etapa:

APRENDA.

E a ordem importa.

Primeiro Cristo.

Depois, aprendemos a compreender todas as coisas a partir dele.

É por isso que afirmamos:

“Examinamos as Escrituras para conhecer Cristo, compreender o Evangelho e crescer na verdade.”

Não estudamos a Bíblia simplesmente para acumular versículos.

Não estudamos para parecermos mais religiosos.

Não estudamos para encontrar frases isoladas capazes de justificar qualquer opinião que já tenhamos.

Não estudamos para criar novas cargas sobre as pessoas.

E não estudamos para substituir Cristo pela própria Bíblia.

Examinamos as Escrituras porque queremos conhecer aquele de quem elas testemunham.

O próprio Jesus disse:

“Examinais as Escrituras […] e são elas que de mim testificam.”

João 5:39

Essa declaração estabelece uma das bases da Ekklesia Cristocêntrica:

a Bíblia precisa nos conduzir a Cristo.

Nossa referência não é uma doutrina inventada pela Ekklesia

Precisamos deixar isso absolutamente claro desde o princípio.

A Ekklesia não pretende criar um “novo Evangelho”.

Não estamos procurando inventar uma nova teologia para diferenciarmo-nos das demais comunidades cristãs.

Não temos interesse em construir doutrina em torno das preferências pessoais de um fundador, de uma liderança ou de uma instituição.

Nosso compromisso é muito mais simples — e muito mais exigente:

buscar nas Escrituras o Evangelho de Jesus Cristo e a sã doutrina transmitida por Cristo e pelos seus apóstolos.

Paulo orientou Timóteo:

“Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus.”

2 Timóteo 1:13

E também:

“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.”

Tito 2:1

“Sã doutrina” não significa uma coleção de tradições denominacionais que jamais podem ser examinadas.

Significa ensino saudável, fiel ao Evangelho e coerente com a revelação apostólica.

E esse ensino possui um centro:

Cristo.


O Evangelho puro

Quando utilizamos a expressão Evangelho puro, não estamos afirmando que somente nós possuímos a verdade ou que toda comunidade diferente da nossa esteja automaticamente errada.

Estamos estabelecendo um compromisso.

Queremos continuamente separar o Evangelho daquilo que os seres humanos acrescentaram a ele.

Paulo demonstrou enorme preocupação quando percebeu que o Evangelho estava sendo alterado:

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho.”

Gálatas 1:6

E imediatamente esclarece:

“O qual não é outro.”

Gálatas 1:7

O Evangelho não pode ser remodelado para atender interesses humanos.

Não pode ser transformado em instrumento de poder.

Não pode ser vendido.

Não pode ser reduzido a promessa de prosperidade material.

Não pode ser utilizado para produzir medo e dependência de líderes.

Não pode transformar a graça em comércio.

Não pode colocar intermediários humanos entre Cristo e aqueles que ele alcançou.

Não pode ser convertido em um sistema no qual o favor de Deus precisa ser comprado, merecido ou negociado.

Evangelho é boa notícia.

E a boa notícia é Cristo.


Qual é o Evangelho que ensinamos?

Paulo oferece uma síntese extraordinária:

“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras […] foi sepultado e […] ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.”

1 Coríntios 15:3-4

Cristo morreu.

Cristo foi sepultado.

Cristo ressuscitou.

Essa é a espinha dorsal da proclamação apostólica.

Mas o significado desses acontecimentos é imenso.

Em Cristo encontramos reconciliação.

Perdão.

Justificação.

Redenção.

Adoção.

Nova vida.

Esperança.

Graça.

O Evangelho anuncia aquilo que Deus fez em Cristo, antes de exigir aquilo que nós fazemos para Deus.

Essa ordem é fundamental.


A graça muda a lógica da religião

Paulo escreve:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.”

Efésios 2:8

E completa:

“Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

Efésios 2:9

Isso destrói a lógica da barganha religiosa.

Não compramos salvação.

Não negociamos perdão.

Não adquirimos bênçãos por meio de transações espirituais.

Não acumulamos méritos suficientes para obrigar Deus a nos aceitar.

A iniciativa é da graça.

Mas Paulo não termina no versículo nove.

Logo depois declara:

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras.”

Efésios 2:10

A ordem é preciosa.

Não fazemos boas obras para comprar a salvação.

Somos alcançados pela graça e, então, uma nova vida começa a produzir frutos.

A graça não elimina a transformação.

A graça produz transformação.


A cruz divide a história da redenção

Para compreender corretamente a Bíblia, existe uma distinção indispensável:

nem tudo o que aparece na Bíblia foi ordenado diretamente à Igreja.

Toda a Escritura é importante.

Toda a Escritura deve ser estudada.

Mas nem toda instrução foi dada à mesma audiência, dentro da mesma aliança e para a mesma finalidade.

Essa diferença é decisiva.

A Bíblia possui uma história.

Criação.

Queda.

Patriarcas.

Israel.

Lei.

Sacerdócio.

Tabernáculo.

Templo.

Sacrifícios.

Profetas.

Promessas.

Cristo.

Calvário.

Ressurreição.

Nova Aliança.

Espírito Santo.

Ekklesia.

Esperança futura.

Se retirarmos um mandamento de qualquer ponto dessa história e o aplicarmos diretamente ao cristão sem considerar seu contexto, podemos produzir doutrinas que o próprio Novo Testamento não estabelece.


O Antigo Testamento não deve ser descartado

Dizer que vivemos sob a Nova Aliança não significa desprezar o Antigo Testamento.

Seria um erro gravíssimo.

Jesus e os apóstolos utilizavam as Escrituras de Israel.

O Antigo Testamento revela a criação, a queda, as promessas, a história de Israel, a Lei, os profetas e a preparação para a chegada do Messias.

Paulo afirma:

“Tudo quanto dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito.”

Romanos 15:4

Portanto, estudamos o Antigo Testamento.

Mas o estudamos sabendo que a história avança em direção a Cristo.

Lemos Moisés olhando para Cristo.

Lemos os profetas olhando para Cristo.

Lemos os salmos olhando para Cristo.

Lemos os sacrifícios olhando para Cristo.

Lemos o sacerdócio olhando para Cristo.

Lemos o templo olhando para Cristo.

Cristo não destrói a história anterior.

Ele a leva ao seu cumprimento.


Jesus disse que veio cumprir

No Sermão do Monte, Cristo declara:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.”

Mateus 5:17

Essa palavra — cumprir — é fundamental.

Jesus não aparece desconectado da história bíblica.

Ele é aquele para quem essa história aponta.

Depois da ressurreição, no caminho de Emaús, Jesus encontra dois discípulos profundamente confusos.

Lucas relata:

“E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.”

Lucas 24:27

Que aula extraordinária deve ter sido aquela.

Jesus ensinando a Bíblia.

E qual era o centro da interpretação?

O próprio Cristo.


Cristo é a chave de leitura

Isso não significa forçar Jesus artificialmente em cada frase do Antigo Testamento.

Significa compreender a grande história bíblica à luz daquele em quem as promessas encontram seu cumprimento.

A Bíblia não é uma coleção aleatória de histórias morais.

Não é simplesmente:

“Seja corajoso como Davi.”

“Tenha fé como Abraão.”

“Seja paciente como Jó.”

Essas aplicações podem ter algum valor, mas não alcançam sozinhas a profundidade da narrativa.

Precisamos perguntar:

Onde estamos na história da redenção?

Para quem isso foi dito?

Sob qual aliança?

Qual era o contexto?

Qual era a finalidade?

Como isso se relaciona com Cristo?

O Novo Testamento retoma esse ensino?

Como os apóstolos o aplicam à Ekklesia?

Essas perguntas protegem o estudante de inúmeros erros.


Antes do Calvário e depois do Calvário

Existe uma razão pela qual falamos tanto sobre o Calvário.

A cruz não foi apenas mais um acontecimento dentro da Bíblia.

Ela está no coração da história da redenção.

Na noite anterior à crucificação, Jesus toma o cálice e declara:

“Este cálice é a nova aliança no meu sangue.”

Lucas 22:20

Nova Aliança.

Essa expressão não foi inventada séculos depois.

O próprio Cristo a utiliza.

E ela já havia sido anunciada pelos profetas.

Jeremias declarou:

“Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova.”

Jeremias 31:31

O autor de Hebreus utiliza exatamente essa profecia para explicar a obra de Cristo.

Portanto, quando falamos sobre a Nova Aliança, não estamos criando uma oposição artificial entre partes da Bíblia.

Estamos seguindo a própria progressão bíblica.


O que mudou com Cristo?

Muita coisa.

O sistema sacrificial encontra cumprimento no sacrifício de Cristo.

O sacerdócio encontra seu cumprimento no sumo sacerdócio de Cristo.

A antiga estrutura cultual deixa de ser o mecanismo de aproximação de Deus.

O véu do templo é rasgado.

A presença de Deus não permanece confinada a um edifício.

O Espírito habita no povo de Deus.

A Ekklesia é formada por pedras vivas.

Cristo torna-se o mediador da Nova Aliança.

Hebreus declara:

“E por isso é Mediador de um novo testamento.”

Hebreus 9:15

E Paulo afirma:

“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”

1 Timóteo 2:5

Esse é um dos motivos pelos quais nossa compreensão precisa ser cristocêntrica.


Não somos templo-centristas

No Antigo Testamento, o templo ocupava uma posição específica dentro da vida religiosa de Israel.

Mas Jesus anuncia à mulher samaritana:

“A hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.”

João 4:21

Depois afirma:

“Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.”

João 4:23

Depois do Calvário e do derramamento do Espírito, vemos essa realidade se tornando ainda mais clara.

Paulo pergunta:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”

1 Coríntios 3:16

Portanto, um prédio pode servir à Igreja.

Mas o prédio não é a Igreja.

A Ekklesia são pessoas reunidas em Cristo.


Como ensinamos na Ekklesia

Aqui está uma das partes mais importantes deste artigo.

Não basta dizer o que ensinamos.

Precisamos explicar como ensinamos.

Nosso método precisa ser tão cristocêntrico quanto nossa mensagem.

Por isso, buscamos trabalhar com alguns princípios fundamentais.

Primeiro: lemos o texto

Antes da opinião vem o texto.

Antes da tradição vem o texto.

Antes do vídeo viral vem o texto.

Antes do pregador famoso vem o texto.

Antes da nossa preferência pessoal vem o texto.

Perguntamos:

O que está realmente escrito?

Não apenas:

“O que sempre me disseram que está escrito?”

Essa diferença é enorme.


Segundo: examinamos o contexto

Um versículo isolado pode ser utilizado para defender praticamente qualquer coisa.

Por isso observamos:

Quem escreveu?

Para quem escreveu?

Quando?

Em qual situação?

Qual problema estava sendo tratado?

O que vem antes?

O que vem depois?

Qual gênero literário estamos lendo?

Narrativa?

Poesia?

Profecia?

Sabedoria?

Evangelho?

Carta?

Literatura apocalíptica?

O contexto não é um detalhe acadêmico.

O contexto protege a verdade.


Terceiro: identificamos a aliança e o momento da história

Perguntamos:

Isso acontece antes ou depois do Sinai?

Antes ou depois de Cristo?

Antes ou depois do Calvário?

Pertence à legislação de Israel?

É uma instrução apostólica para as comunidades cristãs?

É descrição de um acontecimento ou mandamento?

Foi repetido ou reinterpretado no Novo Testamento?

Essa análise evita que misturemos indiscriminadamente Antiga e Nova Aliança.


Quarto: olhamos para Cristo

Perguntamos:

Como este texto se relaciona com Cristo?

O que ele revela sobre a necessidade de redenção?

Sobre a promessa?

Sobre o Reino?

Sobre a graça?

Sobre a obra de Deus?

Sobre a Nova Aliança?

Sobre aquilo que Cristo cumpriu?

Nos Evangelhos, observamos especialmente Jesus.

Suas palavras.

Suas ações.

Sua maneira de tratar pessoas.

Seus confrontos.

Sua compaixão.

Sua relação com o Pai.

Sua missão.

Sua cruz.

Sua ressurreição.


Quinto: verificamos o ensino apostólico

Depois da ressurreição e do Pentecostes, os apóstolos explicam as implicações da obra de Cristo para a Ekklesia.

Atos mostra o nascimento e a expansão das primeiras comunidades.

Romanos desenvolve profundamente o Evangelho.

Gálatas defende vigorosamente a graça contra tentativas de colocar os cristãos novamente sob determinadas exigências da Lei.

Efésios explica nossa identidade em Cristo e a unidade do corpo.

Coríntios trata de problemas reais das comunidades.

Hebreus explica extraordinariamente a relação entre Antiga e Nova Aliança.

As demais cartas ajudam a compreender fé, caráter, perseverança, liderança, sofrimento, esperança e vida comunitária.

Não escolhemos somente os textos que confirmam nossa tese.

Precisamos ouvir todo o testemunho apostólico.


Sexto: distinguimos descrição de prescrição

Esse princípio evita muitos erros.

A Bíblia relata inúmeras coisas que aconteceram.

Isso não significa automaticamente que tudo o que aconteceu deve ser reproduzido.

Narrativa responde frequentemente:

“O que aconteceu?”

Mandamento responde:

“O que devemos fazer?”

Confundir essas categorias pode transformar acontecimentos particulares em regras universais.


Sétimo: distinguimos princípio de aplicação

Um princípio bíblico pode permanecer verdadeiro enquanto sua aplicação cultural assume formas diferentes.

Por isso não queremos simplesmente copiar exteriormente costumes do primeiro século.

Queremos compreender o princípio revelado e aplicá-lo fielmente à nossa realidade.

Essa diferença permite fidelidade sem anacronismo.


Oitavo: não temos medo de conferir traduções

A Bíblia não foi originalmente escrita em português.

O Antigo Testamento foi escrito predominantemente em hebraico, com algumas partes em aramaico.

O Novo Testamento foi escrito em grego koiné.

Por isso diferentes traduções podem utilizar palavras distintas.

Quando uma interpretação depende demasiadamente de uma única palavra portuguesa, é saudável comparar traduções e, quando necessário, consultar o termo original e seu contexto.

Foi exatamente esse cuidado que nos levou, por exemplo, a não repetir como definição lexical aquilo que é popularmente atribuído à palavra ekklesia.

Ekklesia não significa literalmente “chamados para fora do mundo”.

O termo designava uma assembleia ou congregação.

Podemos desenvolver aplicações teológicas sobre separação do pecado e pertencimento a Cristo, mas não devemos transformar uma aplicação espiritual em uma etimologia que a palavra não possui.

A verdade não precisa de argumentos linguisticamente frágeis para continuar sendo verdade.


Nono: tradição pode ser examinada

Tradição não é automaticamente ruim.

Recebemos muito conhecimento através daqueles que vieram antes de nós.

Há séculos de reflexão cristã que merecem respeito e estudo.

Mas nenhuma tradição humana está acima das Escrituras.

Jesus advertiu sobre situações em que tradições humanas anulavam a Palavra de Deus.

Portanto, nossa postura não é:

“É antigo, então está errado.”

Nem:

“É antigo, então necessariamente está certo.”

Perguntamos:

É coerente com Cristo e com o testemunho das Escrituras?


Décimo: nossas próprias conclusões também podem ser examinadas

Isso é indispensável.

Seria incoerente defender que tradições e instituições precisam ser examinadas, mas declarar nossas próprias interpretações intocáveis.

A Ekklesia também precisa permanecer debaixo da Palavra.

Se descobrirmos que ensinamos algo de maneira equivocada, a atitude correta não é proteger nosso orgulho institucional.

É corrigir.

Verdade acima da reputação.

Cristo acima da instituição.


Não queremos uma comunidade de pessoas que simplesmente concordam

Queremos discípulos capazes de examinar.

Em Bereia, Paulo e Silas encontraram pessoas que receberam a mensagem e:

“cada dia examinavam nas Escrituras se estas coisas eram assim.”

Atos 17:11

Observe algo extraordinário:

Eles conferiram até aquilo que Paulo estava ensinando.

E Lucas elogia essa atitude.

Essa é uma cultura que queremos cultivar.

Não queremos ensinar:

“Acredite porque nós dissemos.”

Queremos ensinar:

“Abra as Escrituras. Examine conosco.”


Perguntar não é falta de fé

Perguntas sinceras podem ser parte do amadurecimento.

Por que acreditamos nisso?

Onde está escrito?

Qual é o contexto?

Isso pertence à Antiga ou à Nova Aliança?

Jesus ensinou isso?

Os apóstolos ensinaram isso?

Como os primeiros cristãos compreenderam isso?

Essa interpretação depende de um versículo isolado?

Existem outras passagens que precisam ser consideradas?

Essas perguntas não ameaçam a verdade.

Elas ajudam a protegê-la.


Nem todo versículo é uma promessa pessoal

Esse é outro princípio importante.

É comum encontrarmos textos transformados em promessas universais sem considerar sua audiência original.

Uma promessa específica feita a uma pessoa, a Israel, a um rei ou dentro de uma circunstância histórica particular não se torna automaticamente uma promessa individual para qualquer cristão.

Isso não diminui a Bíblia.

Ao contrário.

Respeita a Bíblia.

Precisamos descobrir primeiro o significado original e somente depois considerar aplicações legítimas.


Nem toda bênção bíblica significa prosperidade financeira

O Evangelho não pode ser reduzido a dinheiro.

Jesus falou sobre dinheiro.

Os apóstolos falaram sobre generosidade.

A Bíblia condena ganância.

Ensina responsabilidade.

Ensina cuidado com necessitados.

Mas Cristo não morreu para transformar o Evangelho em um mecanismo de enriquecimento.

Paulo conheceu abundância e necessidade.

Os apóstolos sofreram.

Muitos dos primeiros cristãos foram perseguidos.

Portanto, qualquer mensagem que transforme riqueza material em evidência necessária de fé precisa ser examinada com enorme cuidado.


Dar continua sendo cristão. Barganhar com Deus, não.

A Nova Aliança não produz pessoas egoístas.

Pelo contrário.

A graça produz generosidade.

Os primeiros cristãos compartilhavam recursos.

Paulo organizou ofertas para irmãos necessitados.

O Novo Testamento incentiva contribuição voluntária, responsável e generosa.

Paulo ensina:

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade.”

2 Coríntios 9:7

Isso é muito diferente de transformar contribuição em imposto espiritual, ameaça ou mecanismo de compra de bênçãos.

Generosidade é fruto da graça.

Não preço da graça.


E o dízimo?

Este é um excelente exemplo da importância do nosso método.

O dízimo aparece nas Escrituras e, portanto, deve ser estudado seriamente.

Há referências anteriores à Lei mosaica, como Abraão e Jacó.

Posteriormente, dentro da aliança mosaica, encontramos um sistema de dízimos relacionado a Israel, aos levitas, às festas, à terra e ao cuidado social.

Malaquias 3 precisa ser lido dentro desse contexto histórico e pactual.

O texto não pode simplesmente ser arrancado da realidade de Israel e transformado automaticamente em um boleto espiritual de dez por cento para todos os cristãos.

No Novo Testamento, encontramos ensino abundante sobre generosidade, partilha, sustento e cuidado com necessitados.

Mas a abordagem apostólica enfatiza contribuição voluntária, proporcional e consciente, não uma tentativa de comprar o favor de Deus.

É exatamente por isso que precisamos aprender a interpretar.

Não queremos eliminar generosidade.

Queremos libertá-la da barganha.


Liberdade cristã não é libertinagem

Quando alguém descobre a graça, pode cometer outro erro:

“Então nada importa.”

Paulo enfrentou raciocínios semelhantes.

A resposta apostólica não é retornar ao legalismo.

É compreender que aqueles que receberam graça foram chamados para uma nova vida.

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.”

Gálatas 5:13

Essa é a beleza da Nova Aliança.

Liberdade.

Mas liberdade para amar.

Para servir.

Para viver segundo o Espírito.


A sã doutrina precisa produzir um caráter saudável

Doutrina não é apenas informação correta.

Existe uma pergunta prática:

O que esse ensino está produzindo em nós?

Se nosso conhecimento bíblico produz arrogância, alguma coisa está errada.

Se produz desprezo pelas pessoas, alguma coisa está errada.

Se produz obsessão por condenar todos, alguma coisa está errada.

Paulo escreve:

“A ciência incha, mas o amor edifica.”

1 Coríntios 8:1

Verdade sem amor pode tornar-se arma.

Amor sem verdade pode tornar-se sentimentalismo vazio.

O caminho cristão precisa dos dois.

Verdade e amor.


Jesus é nossa referência de verdade e graça

João descreve Cristo como:

“cheio de graça e de verdade.”

João 1:14

Não graça sem verdade.

Não verdade sem graça.

Graça e verdade.

Essa combinação precisa moldar nossa maneira de ensinar.

Podemos discordar sem humilhar.

Corrigir sem destruir.

Confrontar sem odiar.

Ensinar sem controlar.

Defender convicções sem transformar pessoas em inimigos.


Não queremos substituir o Espírito Santo por um sistema

Métodos de interpretação são importantes.

Estudo histórico é importante.

Contexto é importante.

Idiomas originais podem ajudar.

Teologia é importante.

Mas nenhuma ferramenta substitui a dependência de Deus.

Jesus prometeu a ação do Espírito Santo:

“Quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade.”

João 16:13

O Espírito Santo não nos conduz contra as Escrituras.

Ele glorifica Cristo.

Por isso estudo e oração caminham juntos.

Cabeça e coração.

Conhecimento e dependência.

Escritura e oração.


Não transformamos experiências em autoridade superior às Escrituras

Pessoas podem ter experiências profundamente marcantes.

Sonhos.

Impressões.

Emoções.

Coincidências.

Momentos de oração.

Não precisamos ridicularizar experiências pessoais.

Mas nenhuma experiência individual possui autoridade para criar um Evangelho diferente.

Tudo precisa ser discernido.

Paulo ensina:

“Examinai tudo. Retende o bem.”

1 Tessalonicenses 5:21

Essa pequena frase resume muito da cultura que desejamos:

examine.


Não seguimos cegamente líderes

Liderança cristã existe para servir.

Não para ocupar o lugar de Cristo.

Jesus disse:

“O maior dentre vós será vosso servo.”

Mateus 23:11

Uma liderança que não pode ser questionada já representa um perigo.

Uma liderança que exige dependência espiritual absoluta está ultrapassando seus limites.

Uma liderança que utiliza medo para controlar pessoas precisa ser examinada.

Uma liderança saudável aponta para Cristo.

Como João Batista:

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.”

João 3:30


A Palavra não existe para produzir escravos religiosos

Jesus disse:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

João 8:32

O contexto dessa frase também importa.

Pouco antes, Jesus afirma:

“Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos.”

João 8:31

Então temos uma sequência:

permanecer na palavra de Cristo → discipulado → conhecimento da verdade → liberdade.

A verdade de Cristo não foi dada para construir cadeias espirituais.

Foi dada para libertar.


Aprender é também desaprender

Essa talvez seja uma das etapas mais difíceis.

Às vezes descobrimos que algo repetido durante décadas não está exatamente no texto bíblico.

Pode ter sido ensinado por pessoas sinceras.

Pode fazer parte de nossa história familiar.

Pode estar profundamente ligado à nossa identidade religiosa.

Reexaminar isso pode causar desconforto.

Mas se nosso compromisso é com Cristo, precisamos possuir humildade suficiente para dizer:

“Eu posso ter entendido errado.”

Isso não é fraqueza.

É maturidade.


Também precisamos tomar cuidado com a novidade

Questionar tradições não significa aceitar qualquer ideia nova.

Existe outro perigo:

acreditar em algo simplesmente porque parece revolucionário.

Novo não significa verdadeiro.

Antigo não significa falso.

Popular não significa verdadeiro.

Impopular não significa verdadeiro.

A pergunta permanece:

Isso resiste ao exame das Escrituras?


Como estudar a Bíblia na prática

Você não precisa começar como teólogo.

Comece com uma Bíblia e disposição para aprender.

Leia unidades completas de pensamento.

Evite abrir aleatoriamente procurando uma resposta mágica.

Escolha um livro.

Leia o contexto.

Anote perguntas.

Compare traduções quando algo parecer difícil.

Observe palavras repetidas.

Identifique quem está falando.

Descubra para quem.

Veja o que acontece antes e depois.

Procure passagens relacionadas.

E sempre pergunte:

O que isso me ensina sobre Cristo e o Evangelho?


Uma sequência excelente para quem está começando

Comece pelo Evangelho de João.

Conheça Cristo.

Depois leia Lucas.

Observe sua vida e seus ensinamentos.

Então leia Atos.

Veja como a mensagem de Cristo começa a se espalhar.

Depois Romanos.

Aprofunde sua compreensão do Evangelho.

Leia Gálatas.

Compreenda a defesa apostólica da graça.

Leia Efésios.

Descubra identidade, graça, unidade e vida em Cristo.

Depois Hebreus.

Observe como Cristo cumpre e supera as estruturas da Antiga Aliança.

E continue.

Toda a Escritura está aberta diante de você.


Faça perguntas ao texto

Quando estudar, utilize perguntas como estas:

O que o texto realmente diz?

Quem está falando?

Para quem?

Qual é o contexto histórico?

Qual é o contexto literário?

Isso pertence a qual aliança?

É descrição ou mandamento?

Existe uma promessa? Para quem foi feita?

Como Cristo se relaciona com isso?

Como os apóstolos interpretam esse tema?

Existe algum outro texto que equilibre minha interpretação?

Estou lendo o texto ou colocando minha ideia dentro dele?

Que transformação essa verdade deveria produzir em mim?

Esse tipo de estudo muda completamente nossa relação com a Bíblia.


Não leia apenas para encontrar erros nos outros

Esse perigo cresce conforme adquirimos conhecimento.

Começamos estudando para conhecer Cristo.

Depois descobrimos erros teológicos.

E podemos terminar lendo a Bíblia somente para atacar outras pessoas.

Não permita que isso aconteça.

A Palavra precisa examinar primeiro a nós.

Hebreus diz:

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz.”

Hebreus 4:12

Antes de utilizar a Escritura como bisturi nos outros, permita que ela opere em você.


Conhecimento precisa tornar-nos mais parecidos com Jesus

Esse é um excelente teste.

Depois de meses estudando, estamos mais humildes?

Mais amorosos?

Mais misericordiosos?

Mais responsáveis?

Mais generosos?

Mais comprometidos com a verdade?

Mais dispostos a servir?

Mais capazes de perdoar?

Mais conscientes de nossa própria necessidade da graça?

Se nosso conhecimento aumentou, mas nosso caráter piorou, precisamos rever alguma coisa.

O objetivo não é simplesmente saber mais.

É conhecer Cristo e ser transformado por ele.


Por isso a segunda etapa é APRENDA

Primeiro:

ENCONTRE.

Agora:

APRENDA.

Encontramos Cristo.

Então examinamos as Escrituras para conhecê-lo profundamente.

Descobrimos o Evangelho.

Compreendemos a graça.

Entendemos o Calvário.

Conhecemos a Nova Aliança.

Aprendemos a distinguir aquilo que pertence à história de Israel daquilo que é estabelecido para a Ekklesia.

Conhecemos o ensino dos apóstolos.

Questionamos tradições.

Questionamos novidades.

Questionamos inclusive nossas próprias conclusões.

E permanecemos aprendendo.


Aqui ninguém termina de aprender

Nenhum pastor sabe tudo.

Nenhum teólogo sabe tudo.

Nenhuma denominação sabe tudo.

Nenhuma comunidade sabe tudo.

A Ekklesia não sabe tudo.

Por isso continuamos examinando.

Continuamos perguntando.

Continuamos estudando.

Continuamos corrigindo.

Continuamos crescendo.

Nossa segurança não está em nossa capacidade de nunca errar.

Nossa segurança está em manter Cristo como referência e possuir humildade suficiente para voltar às Escrituras sempre que necessário.


O objetivo não é formar especialistas em religião

Queremos formar discípulos.

Pessoas capazes de abrir a Bíblia.

Compreender seu contexto.

Reconhecer Cristo.

Discernir o Evangelho.

Identificar manipulação religiosa.

Distinguir graça de barganha.

Distinguir liberdade de libertinagem.

Distinguir ensino bíblico de tradição humana.

Distinguir interpretação responsável de versículo isolado.

E, acima de tudo:

viver aquilo que aprenderam.


A verdade precisa chegar à vida

Tiago faz uma advertência:

“E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes.”

Tiago 1:22

Aprender sem praticar produz ilusão.

Conhecer versículos sobre perdão sem perdoar não basta.

Conhecer textos sobre amor sem amar não basta.

Conhecer doutrina sobre graça sem demonstrar graça não basta.

Conhecer o ensino de Jesus sobre serviço sem servir não basta.

O conhecimento cristão verdadeiro desce da mente para o coração e chega às mãos.


A Bíblia não é o fim da jornada. Cristo é.

Precisamos formular isso cuidadosamente.

A Bíblia é nossa Escritura, nossa fonte normativa para conhecer a revelação de Deus e o testemunho apostólico sobre Cristo.

Nós a valorizamos profundamente.

Nós a estudamos.

Nós a examinamos.

Nós a ensinamos.

Mas Jesus advertiu pessoas que examinavam as Escrituras e, ainda assim, não iam até ele:

“E não quereis vir a mim para terdes vida.”

João 5:40

Esse é um alerta impressionante.

É possível estudar a Escritura e perder aquele para quem ela aponta.

Não queremos cometer esse erro.

A Palavra nos conduz ao Verbo.

A Escritura nos apresenta Cristo.

E Cristo nos conduz ao Pai.


Nossa doutrina pode ser resumida em uma direção

Cristo no centro.

A Escritura examinada com responsabilidade.

O Evangelho sem comércio.

A graça sem barganha.

A fé sem espetáculo.

A liberdade sem libertinagem.

A verdade sem arrogância.

O amor sem abandono da verdade.

A comunidade sem idolatria institucional.

A liderança sem culto à personalidade.

A generosidade sem coerção.

A adoração sem dependência de um endereço.

A Nova Aliança compreendida à luz do Calvário.

E discípulos aprendendo diretamente daquele que disse:

“Aprendei de mim.”

Mateus 11:29


APRENDA

Não aceite algo simplesmente porque alguém falou em nome de Deus.

Não rejeite algo simplesmente porque contraria aquilo que você aprendeu no passado.

Não construa doutrina com vídeos curtos, frases de efeito ou versículos isolados.

Examine.

Abra as Escrituras.

Conheça o contexto.

Compare.

Pergunte.

Ore.

Estude.

Investigue.

Conheça Cristo.

Compreenda o Evangelho.

Descubra a Nova Aliança.

Entenda a graça.

Aprenda com Jesus e com aqueles que ele enviou.

E permita que a verdade transforme sua vida.

Porque uma Ekklesia verdadeiramente cristocêntrica não deveria ter medo de pessoas que estudam.

Deveria incentivá-las.

Não deveria produzir dependência intelectual.

Deveria ensinar discernimento.

Não deveria dizer:

“Não questione.”

Deveria dizer:

“Examine.”

Não deveria dizer:

“Acredite porque nós afirmamos.”

Deveria dizer:

“Vamos abrir as Escrituras e descobrir juntos.”

Não queremos que você dependa da Ekklesia para conhecer Cristo.

Queremos ajudá-lo a aprender a caminhar com Cristo.

Esse é o propósito.

Esse é o compromisso.

Esse é o convite.

Examine as Escrituras.

Conheça Cristo.

Compreenda o Evangelho.

Cresça na verdade.

Viva pela graça.

Permaneça em Cristo.

Ekklesia Cristocêntrica

Cristo no centro. A Palavra aberta. A graça anunciada. A verdade examinada. A fé vivida.

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