Há uma diferença profunda entre conhecer uma religião e conhecer Cristo.
Uma pessoa pode conhecer templos, liturgias, denominações, tradições, costumes, cargos, estruturas, doutrinas, calendários religiosos e até dominar partes inteiras da Bíblia — e ainda assim não compreender o centro de tudo.
O centro não é uma instituição.
O centro não é um prédio.
O centro não é uma placa denominacional.
O centro não é um líder religioso.
O centro não é um sistema de regras.
O centro é Cristo.
Foi por isso que colocamos esta frase logo no início da jornada da Ekklesia:
“Tudo começa em Cristo. Mais do que conhecer uma religião, somos chamados a conhecer, confiar e permanecer nele.”
E é exatamente daqui que precisamos começar.
Não queremos apresentar a você uma nova religião. Não pretendemos disputar espaço com denominações, criar uma nova versão de cristianismo institucional ou simplesmente oferecer outra estrutura religiosa para substituir estruturas já existentes.
Queremos voltar ao ponto central.
Jesus Cristo.
Porque, quando Cristo volta ao centro, muitas coisas que pareciam fundamentais começam a ocupar o lugar correto.
Quem é Jesus Cristo?
Para o cristianismo, Jesus não é apenas um mestre moral, um filósofo, um líder espiritual ou um personagem histórico extraordinário.
Ele é o Cristo.
O Filho de Deus.
O Verbo que se fez carne.
João inicia seu Evangelho dizendo:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
João 1:1
E posteriormente:
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
João 1:14
O cristianismo começa com essa afirmação extraordinária: Deus entrou na história humana.
Jesus não veio simplesmente entregar um conjunto de ensinamentos religiosos. Ele veio revelar o Pai, reconciliar o ser humano com Deus, anunciar o Reino e inaugurar uma nova realidade de relacionamento entre Deus e aqueles que creem.
Por isso, conhecer Cristo é mais do que conhecer informações sobre ele.
Podemos conhecer a biografia de uma pessoa sem conhecê-la pessoalmente.
Da mesma maneira, alguém pode saber onde Jesus nasceu, conhecer seus milagres, suas parábolas, sua crucificação e sua ressurreição e ainda não ter compreendido o convite central do Evangelho:
seguir Cristo.
Jesus não veio simplesmente criar mais uma religião
A humanidade sempre construiu sistemas religiosos.
Templos.
Sacerdócios.
Rituais.
Hierarquias.
Sacrifícios.
Regras.
Lugares considerados sagrados.
Jesus nasceu dentro de uma realidade religiosa profundamente estruturada. Existia o templo em Jerusalém, havia sacerdotes, sacrifícios, festas, tradições e interpretações detalhadas da Lei.
Mas algo extraordinário acontece nos Evangelhos.
Jesus começa a deslocar o centro.
O centro deixa de ser simplesmente o lugar.
O centro passa a ser a pessoa.
Cristo.
Isso aparece de maneira extremamente clara no encontro de Jesus com a mulher samaritana.
A conversa com a mulher samaritana mudou completamente a discussão sobre o lugar da adoração
O episódio está registrado em João 4.
A mulher samaritana apresenta a Jesus uma questão religiosa que dividia judeus e samaritanos.
Os samaritanos adoravam no monte Gerizim.
Os judeus defendiam Jerusalém.
Em outras palavras, a pergunta era praticamente:
“Qual é o lugar correto onde devemos encontrar Deus?”
Observe a resposta de Jesus:
“Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.”
João 4:21
E então ele continua:
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.”
João 4:23
Essa declaração é revolucionária.
Jesus não escolheu simplesmente um templo contra outro.
Ele não disse:
“Gerizim está errado, então todos devem ir para Jerusalém.”
Ele anunciou uma transformação muito maior.
“Nem neste monte, nem em Jerusalém.”
A adoração deixaria de estar condicionada a uma geografia religiosa.
Jesus estava apontando para uma realidade espiritual que se tornaria ainda mais clara depois de sua morte, ressurreição e do derramamento do Espírito Santo.
A presença de Deus não ficaria limitada a um edifício.
Deus não mora em prédios religiosos
Essa verdade aparece repetidamente no Novo Testamento.
Quando Paulo fala em Atenas, declara:
“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.”
Atos 17:24
Isso não significa que seja errado cristãos se reunirem em prédios.
O problema não é o prédio.
O problema aparece quando o prédio passa a ocupar uma posição que o Novo Testamento não lhe atribui.
Um prédio pode ser útil.
Pode proteger da chuva.
Pode oferecer cadeiras.
Pode permitir que centenas de pessoas se reúnam.
Pode possuir equipamentos de som, iluminação e espaços para crianças.
Tudo isso pode ser funcional.
Mas o prédio não é a Igreja.
Então o que é a Igreja?
Aqui precisamos recuperar uma palavra fundamental:
Ekklesia.
É dessa palavra grega que deriva o termo tradicionalmente traduzido como “igreja”.
É importante fazer uma correção que já estabelecemos como princípio da Ekklesia: a palavra ekklesia não significa literalmente “chamados para fora do mundo”, apesar de essa explicação ter se tornado bastante popular em círculos cristãos.
No grego antigo e no uso do Novo Testamento, ekklesia indica essencialmente uma assembleia, congregação ou comunidade reunida.
Quando Jesus declara:
“Edificarei a minha igreja.”
Mateus 16:18
ele não está falando sobre levantar uma construção de pedra.
Cristo está falando sobre pessoas.
Sua comunidade.
Sua assembleia.
Seu povo.
A Ekklesia é formada por aqueles que pertencem a Cristo.
Essa mudança de perspectiva é essencial.
Nós não vamos à Igreja apenas porque entramos em um prédio.
Biblicamente, aqueles que pertencem a Cristo são a Igreja.
O Novo Testamento chama pessoas de templo
Paulo escreve aos cristãos de Corinto:
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
1 Coríntios 3:16
Em outra passagem:
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo?”
1 Coríntios 6:19
Novamente, o movimento é claro.
Templo deixa de ser entendido simplesmente como um endereço religioso.
A presença de Deus habita em seu povo.
Pedro utiliza outra imagem extraordinária:
“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual.”
1 Pedro 2:5
Pedras vivas.
Não tijolos.
Não concreto.
Não paredes.
Pessoas.
Cristo é o fundamento
A Ekklesia não existe em torno de uma personalidade humana.
Não existe em torno de um pastor, sacerdote, apóstolo, bispo, fundador ou influenciador.
Paulo escreve:
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.”
1 Coríntios 3:11
Essa frase poderia resumir toda a nossa compreensão.
O fundamento é Cristo.
Líderes podem servir.
Mestres podem ensinar.
Pastores podem cuidar.
Evangelistas podem anunciar.
Comunidades podem organizar atividades.
Tecnologia pode conectar pessoas.
Prédios podem receber reuniões.
Mas nenhuma dessas coisas pode substituir o fundamento.
Cristo permanece no centro.
Conhecer Cristo é conhecer o Pai
Em João 14, Filipe faz um pedido:
“Senhor, mostra-nos o Pai.”
João 14:8
Jesus responde:
“Quem me vê a mim vê o Pai.”
João 14:9
Uma das missões centrais de Cristo é revelar quem Deus é.
Isso é extremamente importante porque muitos seres humanos desenvolveram imagens distorcidas de Deus.
Alguns enxergam Deus apenas como um juiz esperando uma oportunidade para punir.
Outros o imaginam como uma força distante e indiferente.
Outros ainda receberam uma visão de Deus moldada muito mais por experiências religiosas humanas do que pela pessoa de Jesus.
É por isso que precisamos olhar para Cristo.
Observe Jesus.
Como ele recebe pessoas.
Como trata os desprezados.
Como confronta os hipócritas.
Como perdoa pecadores.
Como toca os considerados impuros.
Como conversa com mulheres numa sociedade profundamente desigual.
Como entra na casa de pessoas rejeitadas.
Como olha para crianças.
Como chora.
Como cura.
Como serve.
Como entrega sua própria vida.
Quando queremos compreender o coração de Deus, Cristo é nossa referência definitiva.
Jesus confrontou a religião quando ela afastava pessoas de Deus
Curiosamente, alguns dos confrontos mais duros de Jesus não aconteceram com pessoas consideradas “pecadoras” pela sociedade.
Aconteceram com líderes religiosos.
Isso não aconteceu porque Jesus fosse contra toda organização religiosa.
A crítica era direcionada à hipocrisia, ao legalismo e ao uso da religião como mecanismo de controle.
Em Mateus 23, Jesus denuncia líderes que colocavam pesados fardos sobre as pessoas.
Existe aqui um alerta permanente para qualquer comunidade cristã:
a religião pode falar sobre Deus e, ao mesmo tempo, dificultar o encontro das pessoas com Deus.
Sempre que tradições humanas ocupam o lugar de Cristo, algo se perde.
Sempre que regras se tornam mais importantes que pessoas, algo se perde.
Sempre que a manutenção da instituição se torna mais importante que o Evangelho, algo se perde.
Sempre que um líder precisa ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Cristo, algo se perde.
A cruz muda tudo
Não podemos compreender Cristo sem compreender o Calvário.
A cruz não é apenas um símbolo cristão.
Ela representa o centro do Evangelho.
Jesus entrega sua vida.
O inocente sofre pelos culpados.
O pecado é confrontado.
A graça é revelada.
A reconciliação torna-se possível.
O Novo Testamento descreve a obra de Cristo de diferentes maneiras: redenção, reconciliação, justificação, perdão, vitória, adoção.
Todas essas imagens apontam para uma verdade:
o ser humano não salva a si mesmo.
Nós não conquistamos Deus por desempenho religioso.
Não compramos seu favor.
Não acumulamos pontos espirituais.
Não somos aceitos porque realizamos rituais suficientes.
Somos alcançados pela graça.
Paulo escreve:
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.”
Efésios 2:8
E completa:
“Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”
Efésios 2:9
Esse princípio muda completamente a maneira como nos relacionamos com Deus.
Graça não significa ausência de transformação
Existe um erro que pode surgir quando falamos de graça.
Algumas pessoas imaginam que graça significa:
“Posso viver de qualquer maneira porque Deus perdoa.”
Essa não é a mensagem do Novo Testamento.
A graça não é licença para permanecer escravo daquilo que destrói.
A graça é justamente aquilo que nos oferece uma nova vida.
Paulo escreve:
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ensinando-nos…”
Tito 2:11-12
A graça salva.
E a graça ensina.
Ela não nos transforma através do medo de uma instituição.
Ela transforma de dentro para fora.
O Evangelho não é “faça para ser aceito”
O Evangelho anuncia algo muito diferente:
em Cristo você é alcançado pela graça e, a partir dessa graça, começa uma vida transformada.
Existe uma enorme diferença entre essas duas lógicas.
A lógica religiosa pode dizer:
“Mude para que Deus aceite você.”
O Evangelho anuncia:
“Deus veio ao seu encontro em Cristo; receba essa graça e permita que ela transforme sua vida.”
Por isso a vida cristã não começa com nossa capacidade.
Começa com aquilo que Cristo fez.
A ressurreição é indispensável
Se a história terminasse no Calvário, teríamos apenas a história de um mártir extraordinário.
Mas o cristianismo nasce da proclamação:
Cristo ressuscitou.
Paulo chega a dizer:
“E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.”
1 Coríntios 15:14
A ressurreição é a confirmação da vitória de Cristo.
A morte não teve a palavra final.
O pecado não teve a palavra final.
O túmulo não teve a palavra final.
Cristo vive.
Por isso o cristianismo não é simplesmente seguir os ensinamentos de alguém que morreu
Estamos falando de relacionamento com o Cristo vivo.
É justamente por isso que Jesus utiliza uma linguagem tão forte em João 15.
Ele diz:
“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.”
João 15:4
Observe a palavra:
permanecei.
Não é apenas:
“Conheçam minha história.”
Não é:
“Frequentem eventualmente um ambiente religioso.”
Não é:
“Adotem uma identidade cultural cristã.”
É:
“Permaneçam em mim.”
Essa palavra está no coração do que acreditamos.
Encontrar Cristo é apenas o começo
É por isso que esta primeira etapa da jornada da Ekklesia se chama:
ENCONTRE.
Mas encontrar não significa terminar.
Significa começar.
Encontrar Cristo conduz a conhecê-lo.
Conhecê-lo conduz a confiar nele.
Confiar conduz a permanecer.
Permanecer produz transformação.
Jesus compara essa relação a uma videira e seus ramos.
“Eu sou a videira, vós, as varas.”
João 15:5
O ramo não produz vida sozinho.
Ele recebe vida da videira.
Essa talvez seja uma das melhores imagens da vida cristã.
Não é uma tentativa desesperada de parecer espiritual.
É permanecer conectado à fonte.
Cristianismo não é performance religiosa
Uma das maiores armadilhas da religião é transformar espiritualidade em espetáculo.
As pessoas aprendem frases.
Gestos.
Vocabulário.
Roupas.
Comportamentos.
Podem aparentar profunda espiritualidade.
Mas Jesus sempre conduziu a discussão para o coração.
Ele não procura atores religiosos.
Ele procura verdade.
Por isso a expressão de João 4 é tão poderosa:
“em espírito e em verdade.”
Não aparência.
Não performance.
Não endereço.
Espírito.
Verdade.
A fé cristã não elimina a comunidade
Quando criticamos o templo-centrismo, precisamos evitar outro extremo.
O fato de a Igreja não ser um prédio não significa que a vida cristã seja individualista.
O Novo Testamento enfatiza fortemente a comunhão.
Cristãos se reuniam.
Partilhavam.
Oravam juntos.
Aprendiam juntos.
Ajudavam uns aos outros.
Celebravam juntos.
Choravam juntos.
Serviam juntos.
Atos 2 apresenta uma comunidade que perseverava:
“na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”
Atos 2:42
A questão, portanto, não é:
“precisamos ou não precisamos nos reunir?”
Precisamos.
A questão é:
“o que constitui a Igreja?”
A resposta é:
as pessoas em Cristo.
O local é circunstancial.
Cristo é essencial.
As primeiras comunidades cristãs frequentemente se reuniam em casas
Encontramos diversas referências no Novo Testamento às comunidades que se reuniam em residências.
Paulo menciona:
“a igreja que está em sua casa.”
Romanos 16:5
Isso nos ajuda a compreender como os primeiros cristãos entendiam a Ekklesia.
A casa não se tornava magicamente “sagrada”.
As pessoas reunidas em Cristo constituíam aquela comunidade.
Uma sala podia receber uma Ekklesia.
Uma casa podia receber uma Ekklesia.
Hoje, uma comunidade pode se reunir em uma casa, auditório, escola, praça, espaço alugado ou ambiente digital.
O endereço pode mudar.
Cristo permanece.
Cristo não está preso a uma denominação
Ao longo dos séculos, o cristianismo desenvolveu inúmeras tradições.
Católicos.
Ortodoxos.
Batistas.
Presbiterianos.
Metodistas.
Luteranos.
Pentecostais.
Anglicanos.
Comunidades independentes.
E muitas outras.
Existem diferenças importantes entre elas.
Algumas precisam ser discutidas seriamente.
Mas existe um risco quando alguém começa a acreditar que Cristo pertence exclusivamente à sua instituição.
Cristo não é propriedade de uma denominação.
Nenhuma placa detém o monopólio sobre Jesus.
A pergunta essencial não é:
“Qual é a sua placa?”
A pergunta essencial é:
“Quem é Cristo para você?”
Jesus fez essa pergunta
Em Mateus 16, Jesus pergunta aos discípulos:
“E vós, quem dizeis que eu sou?”
Mateus 16:15
Pedro responde:
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Mateus 16:16
Essa pergunta atravessa os séculos.
Não importa apenas o que sua família pensa sobre Jesus.
Não importa o que sua denominação declara.
Não importa o que seus amigos acreditam.
Chega um momento em que a pergunta se torna pessoal:
Quem você diz que Jesus é?
Conhecer Cristo envolve confiar
Fé bíblica não é simplesmente acreditar que Jesus existiu.
Pouquíssimos historiadores sérios negam a existência histórica de Jesus.
Mas a fé cristã vai muito além da aceitação de um fato histórico.
É confiança.
Jesus utiliza repetidamente a expressão:
“crer em mim”.
Não apenas:
“crer que eu existo.”
Mas depositar confiança nele.
Isso envolve confiar em sua pessoa.
Em suas palavras.
Em sua obra.
Em sua graça.
Em seu caminho.
Seguir Cristo custa algo
A graça é gratuita.
Mas seguir Jesus não é trivial.
Cristo nunca vendeu uma versão superficial do discipulado.
Ele falou sobre renúncia.
Sobre amar.
Perdoar.
Servir.
Carregar a cruz.
Abandonar hipocrisia.
Colocar o Reino acima do ego.
Seguir Jesus transforma prioridades.
Por isso não queremos vender uma versão confortável de cristianismo.
Cristo não chama consumidores religiosos.
Ele chama discípulos.
O discipulado não acontece instantaneamente
Um discípulo aprende.
Cai.
Levanta.
Descobre.
Questiona.
Amadurece.
É confrontado.
É consolado.
É transformado.
Pedro é um excelente exemplo.
Ele declarou que Jesus era o Cristo.
Pouco depois, foi repreendido por Jesus.
Prometeu fidelidade.
Negou Cristo três vezes.
Chorou.
Foi restaurado.
Tornou-se uma das figuras fundamentais da Igreja primitiva.
Isso nos ensina algo:
Cristo trabalha com pessoas reais.
Não com personagens perfeitos.
Você pode se aproximar de Cristo como está
Isso não significa que Cristo deseja deixar você exatamente como está.
Mas significa que você não precisa produzir uma versão falsa de si mesmo para se aproximar dele.
Observe os Evangelhos.
Pessoas quebradas se aproximam.
Pecadores se aproximam.
Doentes se aproximam.
Céticos se aproximam.
Confusos se aproximam.
Gente religiosa se aproxima.
Gente irreligiosa se aproxima.
Jesus conversa com todos.
A transformação começa no encontro.
A mulher samaritana é um retrato perfeito disso
Ela provavelmente carregava uma história complicada.
Era samaritana.
Era mulher.
Existiam barreiras culturais, religiosas e sociais naquela conversa.
Mesmo assim, Jesus está ali.
Conversando.
Perguntando.
Revelando.
Confrontando.
Oferecendo água viva.
E aquela mulher se transforma em alguém que corre até sua cidade para contar o que aconteceu.
O encontro com Cristo gera movimento.
A água viva
Na mesma conversa, Jesus diz:
“Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede.”
João 4:14
Jesus utiliza uma necessidade humana básica — sede — para falar sobre algo muito mais profundo.
Existe uma sede que dinheiro não resolve.
Status não resolve.
Religião externa não resolve.
Relacionamentos humanos não resolvem completamente.
Sucesso não resolve.
Reconhecimento não resolve.
Existe uma sede espiritual.
Cristo se apresenta como aquele que oferece água viva.
Cristo é suficiente
Essa afirmação é central para nossa caminhada:
Cristo é suficiente.
Não significa que não precisamos uns dos outros.
Precisamos.
Não significa que não precisamos estudar.
Precisamos.
Não significa que não precisamos de comunidades.
Precisamos.
Significa que nenhuma dessas coisas ocupa o lugar do Salvador.
A comunidade aponta para Cristo.
O ensino aponta para Cristo.
A Bíblia revela Cristo.
O serviço nasce de Cristo.
A comunhão acontece em Cristo.
Quando alguma dessas coisas passa a substituir Cristo, perdemos o centro.
A Bíblia também deve ser lida a partir de Cristo
Jesus disse:
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.”
João 5:39
Isso exige uma leitura cuidadosa da Bíblia.
A Escritura contém uma história progressiva.
Há alianças.
Contextos.
Leis dadas a Israel.
Sacerdócio levítico.
Sistema sacrificial.
Templo.
Profetas.
E então Cristo.
Por isso não podemos simplesmente retirar qualquer prática do Antigo Testamento e transportá-la automaticamente para a Igreja sem compreender como ela se relaciona com Cristo e com a Nova Aliança.
O Calvário não foi um detalhe.
Foi uma ruptura decisiva na história da redenção.
Antes e depois da cruz
Isso é fundamental para a compreensão que estamos construindo na Ekklesia.
A Bíblia não é uma coleção de frases isoladas.
Existe uma história.
Criação.
Queda.
Promessa.
Israel.
Lei.
Profetas.
Cristo.
Cruz.
Ressurreição.
Nova Aliança.
Espírito Santo.
Ekklesia.
Esperança futura.
Quando ignoramos essa progressão, podemos transformar práticas pertencentes a contextos específicos da Antiga Aliança em obrigações para cristãos da Nova Aliança sem base adequada.
Por isso nossa referência definitiva é Cristo e o Evangelho à luz da obra concluída no Calvário.
Cristo cumpriu aquilo para o qual a Lei apontava
Jesus declarou:
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.”
Mateus 5:17
A Lei apontava.
Os sacrifícios apontavam.
O sacerdócio apontava.
O templo apontava.
As festas apontavam.
A história caminhava em direção a Cristo.
A carta aos Hebreus desenvolve isso de maneira extraordinária.
Cristo é apresentado como nosso sumo sacerdote.
Seu sacrifício não precisa ser repetido continuamente.
Ele entra de uma vez por todas.
A antiga sombra encontra sua realidade.
Por isso nossa fé é cristocêntrica
Cristocêntrico significa literalmente:
Cristo no centro.
Parece óbvio.
Mas, na prática, é possível construir um ambiente cristão no qual Cristo seja mencionado e, ainda assim, não seja realmente o centro.
Dinheiro pode virar o centro.
Poder pode virar o centro.
Política pode virar o centro.
O líder pode virar o centro.
A instituição pode virar o centro.
A experiência emocional pode virar o centro.
A prosperidade pode virar o centro.
O medo pode virar o centro.
A tradição pode virar o centro.
A Ekklesia precisa permanentemente fazer a pergunta:
Cristo ainda está no centro?
Não queremos substituir uma estrutura religiosa por outra estrutura religiosa
Esse ponto é essencial.
Seria muito fácil criticar instituições tradicionais e depois simplesmente construir mais uma instituição que reproduz exatamente os mesmos vícios.
Não é esse o objetivo.
A Ekklesia não deve existir para transferir dependência de uma organização para outra.
A proposta é apontar constantemente para Cristo.
Nenhum membro pertence a nós.
Pertencemos a Cristo.
Nenhum discípulo deve ser criado para depender espiritualmente de uma personalidade humana.
Nosso papel é ajudar pessoas a conhecerem o Mestre.
Uma comunidade pode orientar, mas Cristo conduz
Paulo descreve diferentes funções dentro da comunidade cristã.
Uns ensinam.
Outros servem.
Outros evangelizam.
Outros cuidam.
Mas tudo isso existe para edificação do corpo.
O objetivo de uma liderança saudável não é produzir seguidores pessoais.
É formar discípulos de Jesus.
João Batista compreendeu perfeitamente essa lógica quando declarou:
“É necessário que ele cresça e que eu diminua.”
João 3:30
Essa deveria ser a postura de qualquer liderança cristã.
Ninguém precisa de intermediários humanos para chegar a Cristo
O Novo Testamento afirma:
“Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”
1 Timóteo 2:5
Isso não elimina professores, pastores ou irmãos na fé.
Mas define seus limites.
Eles podem ajudar.
Podem aconselhar.
Podem ensinar.
Podem caminhar ao lado.
Mas não ocupam o lugar do mediador.
O mediador é Cristo.
Você pode falar com Deus
Talvez isso pareça simples.
Mas é profundamente libertador.
Você não precisa de um prédio específico.
Não precisa de uma linguagem religiosa sofisticada.
Não precisa conhecer todas as doutrinas primeiro.
Comece.
Fale.
Ore.
Pergunte.
Busque.
Abra os Evangelhos.
Leia as palavras de Jesus.
Observe suas atitudes.
Conheça sua história.
Por onde começar a conhecer Jesus?
Comece pelos Evangelhos.
Mateus.
Marcos.
Lucas.
João.
Se você nunca leu a Bíblia de maneira organizada, uma boa opção é começar por João.
Leia devagar.
Não tente simplesmente cumprir capítulos.
Pergunte ao texto:
Quem Jesus está mostrando ser?
Como ele trata as pessoas?
O que ele ensina sobre Deus?
O que ele confronta?
O que ele promete?
O que essa passagem revela sobre o coração de Cristo?
Essa leitura pode mudar completamente sua percepção.
Não tenha medo das perguntas
Fé não significa desligar o cérebro.
Jesus foi constantemente questionado.
Alguns perguntavam sinceramente.
Outros tentavam provocá-lo.
Ele dialogava.
Explicava.
Respondia.
Também fazia perguntas.
A Ekklesia deve ser um ambiente onde pessoas possam pensar.
Perguntar.
Investigar.
Conferir as Escrituras.
Discordar respeitosamente.
Amadurecer.
Cristo não precisa ser protegido de perguntas honestas.
Fé e verdade caminham juntas
Jesus declarou:
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.”
João 14:6
Observe novamente:
ele não diz simplesmente:
“Eu ensino um caminho.”
Ele diz:
“Eu sou o caminho.”
Não apenas:
“Eu conheço a verdade.”
Mas:
“Eu sou a verdade.”
Não:
“Eu explicarei como encontrar vida.”
Mas:
“Eu sou a vida.”
Tudo converge novamente para a pessoa de Cristo.
O que significa aceitar Cristo?
Essa expressão tornou-se comum no ambiente cristão.
Mas precisamos compreender seu sentido.
Não se trata de repetir mecanicamente uma frase.
Não existe fórmula mágica.
Seguir Cristo envolve fé.
Arrependimento.
Confiança.
Entrega.
O arrependimento bíblico não é apenas sentir culpa.
É uma mudança de mente e direção.
Começamos a enxergar nossa vida à luz de Cristo.
Reconhecemos aquilo que nos afasta de Deus.
Recebemos sua graça.
E começamos uma caminhada.
A salvação não é comprar uma vaga no céu
É muito maior.
Salvação inclui reconciliação com Deus.
Nova identidade.
Perdão.
Vida no Espírito.
Entrada na família de Deus.
Esperança.
Transformação.
Vida eterna.
Jesus define vida eterna de maneira belíssima:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
João 17:3
Observe novamente o verbo:
conhecer.
Conhecer Deus
Aqui talvez esteja uma das respostas mais profundas para a pergunta:
“Do que trata o cristianismo?”
Trata-se de Deus buscando a humanidade.
Cristo revelando Deus.
A humanidade sendo reconciliada com seu Criador.
E pessoas aprendendo novamente a viver em comunhão com ele.
Não queremos apenas que você conheça a Ekklesia
Isso seria um fracasso.
Nosso objetivo não é que você termine este artigo dizendo:
“Conheci uma nova organização.”
Esperamos que você diga:
“Quero conhecer melhor Jesus.”
Se isso acontecer, este texto cumpriu seu propósito.
Porque a Ekklesia pode desaparecer.
Plataformas podem desaparecer.
Sites podem desaparecer.
Organizações podem desaparecer.
Cristo permanece.
E se eu estiver decepcionado com igrejas?
Você não está sozinho.
Existem pessoas profundamente feridas por experiências religiosas.
Abuso espiritual.
Manipulação.
Humilhação.
Controle.
Escândalos financeiros.
Autoritarismo.
Hipocrisia.
Promessas falsas.
Infelizmente, tudo isso existe.
Mas existe uma distinção necessária:
Cristo não deve ser confundido com todos aqueles que usam seu nome.
Uma pessoa pode representar Jesus muito mal.
Uma instituição pode representar Jesus muito mal.
Isso não altera quem Cristo é.
Se pessoas religiosas machucaram você, talvez seja necessário redescobrir Jesus separado da caricatura que fizeram dele.
Volte aos Evangelhos.
Veja Cristo novamente.
E se eu não acreditar?
Então investigue.
Não queremos pedir que você finja uma fé que não possui.
Leia.
Pergunte.
Pesquise.
Compare.
Converse.
Procure compreender quem Jesus realmente foi e o que seus primeiros seguidores afirmaram ter testemunhado.
A fé cristã nasce dentro da história.
Jesus viveu.
Foi crucificado.
Seus seguidores proclamaram sua ressurreição.
Uma comunidade surgiu e rapidamente se espalhou pelo mundo antigo.
Essas afirmações podem e devem ser investigadas.
E se eu já sou cristão há muitos anos?
Então a pergunta continua válida:
Cristo ainda está no centro?
É possível caminhar muitos anos dentro de ambientes cristãos e lentamente substituir Cristo por hábitos religiosos.
Talvez este seja o momento de retornar.
Não necessariamente retornar para uma instituição.
Retornar para Cristo.
Para sua voz.
Para sua graça.
Para sua simplicidade.
Para seu Evangelho.
A Ekklesia começa aqui
Por isso nossa primeira palavra é:
ENCONTRE.
Encontre Cristo.
Não uma nova religião.
Não uma nova denominação.
Não um novo ídolo humano.
Cristo.
Depois de encontrá-lo, conheça.
Depois de conhecê-lo, confie.
Depois de confiar, permaneça.
E permita que essa relação alcance todas as áreas da sua vida.
Sua família.
Seu trabalho.
Seu dinheiro.
Seus relacionamentos.
Suas decisões.
Seu caráter.
Seu tempo.
Sua maneira de tratar as pessoas.
Sua maneira de enxergar o mundo.
Uma oração simples
Talvez você queira começar agora.
Você não precisa repetir exatamente estas palavras. Oração não é fórmula.
Mas pode falar com Deus sinceramente:
Jesus, eu quero te conhecer como realmente és.
Retira de mim as distorções, os preconceitos e tudo aquilo que me impede de enxergar a verdade.
Eu reconheço minhas limitações, meus erros e minha necessidade de graça.
Ensina-me.
Guia-me.
Mostra-me o Pai.
Ajuda-me a compreender tua vida, tua cruz e tua ressurreição.
Quero aprender a confiar em ti e permanecer em ti.
Que minha fé não seja apenas religião, aparência ou tradição, mas uma vida verdadeira contigo.
Amém.
Comece hoje
Abra o Evangelho de João.
Leia o primeiro capítulo.
Amanhã, leia o segundo.
Continue.
Sem pressa.
Sem performance.
Sem obrigação religiosa.
Leia tentando conhecer uma pessoa.
Cristo.
Quando alguma coisa chamar sua atenção, pare.
Pense.
Ore.
Faça perguntas.
E continue.
Porque a jornada cristã não começa quando alguém entra em um templo.
Ela começa quando Cristo encontra uma pessoa — e essa pessoa responde.
ENCONTRE CRISTO
Tudo começa aqui.
Antes de denominações.
Antes de tradições.
Antes de instituições.
Antes de templos.
Antes de cargos religiosos.
Antes de sistemas.
Cristo.
Ele é o fundamento.
Ele é o centro.
Ele é o caminho.
Ele é a verdade.
Ele é a vida.
E é nele que queremos permanecer.
Ekklesia Cristocêntrica
Uma comunidade de pessoas que desejam voltar ao centro.
Jesus Cristo.

